A guerra na Ucrânia está provocando uma transformação biológica e comportamental acelerada em cães domésticos abandonados nas zonas de conflito. Um estudo publicado na revista Evolutionary, que analisou 763 animais, revelou que esses pets estão desenvolvendo características físicas típicas de animais selvagens, como lobos e coiotes. As mudanças incluem focinhos mais longos, corpos mais magros e orelhas mais eretas, características que favorecem a sobrevivência em ambientes hostis.
De acordo com os pesquisadores, o conflito atua como um “filtro evolutivo”, onde animais com menor massa muscular e maior agilidade conseguem se esconder melhor e se locomover com discrição. Além das mudanças físicas, os cães pararam de depender de humanos para se alimentar e passaram a formar alcateias organizadas. Surpreendentemente, os exemplares encontrados nas linhas de frente são, em sua maioria, jovens e saudáveis, demonstrando uma adaptação rápida ao novo estilo de vida independente.
Essa mudança drástica é reflexo direto do abandono em massa ocorrido desde o início da invasão russa, quando milhares de tutores foram forçados a deixar seus animais em estações de trem ou territórios ocupados. Cientistas apontam que a necessidade de sobrevivência extrema está forçando esses antigos animais de estimação a resgatarem instintos ancestrais de caça e cooperação social.
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