A Colômbia foi tomada por grandes manifestações nesta quarta-feira (14), marcando o primeiro dia de protestos em massa contra a administração do presidente de direita Abelardo de la Espriella, empossado há apenas dois meses. Convocados por centrais sindicais, estudantes, comunidades indígenas, movimentos feministas e forças oposicionistas lideradas pelo ex-presidente Gustavo Petro, os atos reuniram milhares de cidadãos em um clima de forte insatisfação popular.
Os manifestantes externaram o temor de retrocessos nas conquistas sociais obtidas no governo anterior, como o acesso gratuito a universidades públicas e a valorização salarial, além de criticarem a nova orientação diplomática do país, que restabeleceu laços com Israel e reaproximou-se da gestão de Donald Trump nos Estados Unidos. As mobilizações ganharam ainda mais urgência na véspera da marcha após o presidente assinar um decreto que autoriza o uso ampliado de força policial e militar em casos de vandalismo ou bloqueios de rodovias.
Enquanto o Palácio de Nariño defende o dispositivo como instrumento legítimo para conter atos de violência e garantir a ordem pública, os organizadores dos protestos apontam que a medida abre perigoso precedente para a criminalização do direito constitucional à livre manifestação e eleva o risco de repressão estatal. A pauta de reivindicações também incorporou denúncias públicas sobre a transparência na gestão de fundos de assistência a vítimas de desastres e questionamentos à postura laica do Estado diante do forte apelo religioso adotado pelo atual chefe do Executivo.
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