O crescimento acelerado da população mundial, que pode atingir 10 bilhões de habitantes até 2075, intensifica o desafio da gestão de resíduos sólidos e pressiona os recursos naturais. No Brasil, o problema é ainda mais crítico: o país produz cerca de 90 milhões de toneladas de lixo por ano, mas apenas 4% são reciclados, muito abaixo dos índices de países europeus e asiáticos.
Segundo Laerte Scanavacca Júnior, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, 41,6% do lixo produzido no Brasil sequer é coletado, agravando problemas ambientais e de saúde pública. Dos resíduos recolhidos, apenas 13,8% têm destinação correta em aterros sanitários. Além disso, o Brasil ainda possui cerca de 3 mil lixões ativos, apesar das metas repetidamente adiadas para sua substituição. A previsão atual é que todos sejam desativados até 2029.
O descarte inadequado gera custos elevados: estima-se que o Brasil perca R$ 120 bilhões anuais devido à reciclagem ineficiente ou inexistente. Especialistas apontam que a infraestrutura precária e a bitributação sobre materiais recicláveis são barreiras para avançar na economia circular, modelo que promove o reaproveitamento de recursos e reduz o impacto ambiental.
Apesar dos desafios, o Brasil tem potencial para avançar na reciclagem e na economia circular. Medidas como ampliação da coleta seletiva, incentivos fiscais para materiais recicláveis e conscientização da população podem transformar o setor e reduzir os impactos ambientais. Sem essas ações, o problema do lixo continuará crescendo, comprometendo a qualidade de vida e o futuro das próximas gerações.
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