A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) lançou uma cartilha com orientações para ajudar comunidades, organizações e associações indígenas a se prepararem para possíveis impactos de uma seca extrema provocada pelo agravamento do El Niño em 2026. O material foi apresentado durante a XV Assembleia Geral da entidade, realizada na Terra Indígena Karajá/Xambioá, em Tocantins, e reúne recomendações para prevenção, organização e resposta a eventos climáticos extremos.
Entre as orientações estão medidas para proteção, armazenamento e monitoramento da água, organização de alimentos e medicamentos, formação de brigadas e grupos de monitoramento, identificação de áreas vulneráveis e planejamento de transporte e combustível. A cartilha também orienta as comunidades a elaborarem planos de ação para os períodos antes, durante e depois da seca, além de indicar órgãos públicos que podem ser acionados em situações como falta de água, insegurança alimentar, incêndios, isolamento e crimes ambientais.
A iniciativa busca fortalecer a autonomia das comunidades diante dos impactos das mudanças climáticas e ampliar a participação indígena nas discussões sobre políticas ambientais. Durante a assembleia, 500 exemplares foram distribuídos a lideranças dos nove estados da Amazônia brasileira. Segundo representantes da Coiab, o material também poderá ser utilizado para solicitar apoio e contribuir com planos estaduais de adaptação climática.
O alerta considera os efeitos das secas extremas registradas na Amazônia nos últimos anos. Em 2024, mais de 200 terras indígenas foram afetadas pela estiagem, atingindo diretamente mais de 200 mil pessoas, segundo dados apresentados pela Coiab. A entidade mantém, desde 2023, ações de coleta e análise de dados sobre os impactos climáticos, além da formação de agentes de monitoramento indígenas e comunicadores, buscando ampliar a preparação dos territórios para eventos extremos.
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