quinta, 23 de abril de 2026
12/10/2024   10:00h - Especial

Círio de Nazaré em Belém do Pará

Além das celebrações de Nossa Senhora de Aparecida, no norte do país há os festejos do Círio de Nazaré, conhecidos internacionalmente. O Círio de Nazaré, assim como o Carnaval e o São João nordestino, pode ser considerado uma festa de participação local, dado o fluxo de visitas que movimenta na região, mas também de representação da cultura brasileira. A celebração movimenta não somente o aspecto religioso da região, mas também o fluxo econômico das estruturas de comércio, hotelaria e transporte.

 

A procissão começa no segundo domingo do mês de outubro, às 7h da manhã, logo após a tradicional missa, que ocorre às 5h30 da manhã, em frente à Catedral da Sé, na Cidade Velha. Em seguida, a imagem da santa parte em romaria num percurso de 3,6 km, até chegar à Praça Santuário de Nazaré. Reunindo milhares de romeiros, devotos, pagadores de promessas, o Círio é considerado uma das maiores manifestações católicas do Brasil e do mundo.

 

Já o termo Círio vem da palavra “cereus”, que significa vela grande de cera, a principal oferta dos fiéis em procissões em Portugal. Com o tempo, passou a ser sinônimo da procissão de Nazaré, em Belém, e de muitas outras do interior do Pará.

 

Origem

A origem do Círio de Nazaré está ligada ao aparecimento de uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré achada por um caboclo, Plácido José de Souza, filho de um português e de uma índia nativa. Agricultor e caçador, Plácido era dono de um sítio na estrada do Maranhão, hoje Bairro de Nazaré. Conta-se que num dia de 1700, o caboclo saiu para caçar. Após muito caminhar pela mata, parou para refrescar-se nas águas do igarapé Murutucu (onde hoje se encontra a Basílica). Foi quando teria visto a imagem de Nossa Senhora de Nazaré entre as pedras. Católico fervoroso, levou a imagem da santa para seu barraco, onde criou um pequeno altar para venerá-la. Procurada pelas pessoas que passavam pela estrada do Maranhão, a casa de Plácido tornou-se local de culto. Muitas pessoas iam até o local fazer orações, agradecer por graças alcançadas, pagar promessas1.

Uma das histórias mais conhecidas do Círio de Nazaré, e que justificou a construção da Basílica, foi a do “sumiço da santa”. Contam que, no dia seguinte após ter sido colocada em seu humilde altar, a imagem da santa teria desaparecido. Sem entender o que havia acontecido, Plácido saiu à sua procura. Dirigiu-se às margens do Murucutu, onde, para sua surpresa, encontrou a imagem da santa novamente entre as pedras.

A história chegou aos ouvidos do governador, que ordenou que a imagem fosse levada ao Palácio do Governo, onde ficou sob forte vigilância. Para surpresa de todos, no dia seguinte, a imagem teria novamente sumido. Os devotos concluíram, assim, que a santa queria ficar próxima ao igarapé. Ali, Plácido construiu sua nova casa. Com o passar do tempo, os milagres se multiplicaram, aumentando o número de visitantes devotos no local, até que a imagem foi levada a Belém.

  

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