quinta, 30 de julho de 2026
27/07/2026   08:00h - Ciência & Tecnologia

Chips que imitam o cérebro humano prometem revolucionar a inteligência artificial

Cientistas estão desenvolvendo memristores, componentes eletrônicos inspirados no cérebro humano que prometem tornar os computadores mais rápidos, eficientes e econômicos. Proposta teoricamente em 1971 e com primeiro protótipo criado em 2008, a tecnologia simula a plasticidade sináptica ao permitir que o processamento e o armazenamento de dados ocorram no mesmo dispositivo. Essa arquitetura elimina a necessidade de mover informações constantemente entre componentes separados, superando uma das maiores limitações da computação atual: o elevado consumo de energia.

 

No Brasil, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp) e do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), lideram avanços com novos materiais para ampliar o uso dessa tecnologia. Entre as inovações estão transistores polimorfos que funcionam em temperatura ambiente, uso de óxido de zinco de baixo custo e até a aplicação de melanina para criar dispositivos biodegradáveis voltados à medicina. As possibilidades de aplicação vão além da inteligência artificial, alcançando áreas como diagnósticos médicos, sensores inteligentes, criptografia e futuras redes 6G.

 

Apesar das perspectivas promissoras, a tecnologia ainda enfrenta desafios para chegar ao mercado em larga escala. Especialistas de física, engenharia e medicina trabalham para aprimorar os processos de fabricação, integrar os memristores aos sistemas eletrônicos convencionais e compreender melhor o seu comportamento físico. A expectativa é que, ao superar esses obstáculos, os componentes abram caminho para uma nova era de sistemas computacionais de alto desempenho.

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