O fim abrupto da política Zero Covid na China, que gerou um surto mortífero da doença, parece causar também um grande prejuízo intelectual. No intervalo de um mês, morreram em todo o país mais engenheiros e cientistas veteranos do que normalmente se registra em um ano, segundo o jornal South China Morning Post.
A Academia Chinesa de Engenharia, órgão mais importante do setor na China, tem mais de 900 membros, quase todos ligados aos projetos de infraestrutura mais prestigiados do país. Somente entre os dias 15 de dezembro e 4 de janeiro, a entidade diz que 20 de seus integrantes morreram, sendo que o mais jovem da lista tinha 77 anos.
Para se ter ideia do que esse número representa, entre 2017 e 2020 foram registradas 16 mortes por ano, em média, entre os membros da Academia. Já em todo o ano de 2021 foram 13 mortes. As causas das mortes não foram divulgadas, mas é inevitável associá-las ao surto de Covid que tem vitimado sobretudo pessoas acima dos 60 anos.
Engenheiros e cientistas são especialmente valorizados pelo governo chinês, vez que os megaprojetos desenvolvidos por eles estão entre os pilares de sustentação da economia nacional. Tanto que esses indivíduos recebem tratamento privilegiado em casos de problemas de saúde, mesmo nível do que se oferece aos vice-ministros do governo central.
Porém, em meio ao surto, os hospitais chineses estão superlotados, e mesmo esses profissionais têm que esperar para conseguir um quarto.