A guerra na Ucrânia causou danos significativos ao aparato de propaganda da Rússia. Os meios de comunicação apoiados por Moscou sofreram bloqueios ou restrições por empresas e governos ocidentais, resultando em uma fração das audiências pré-guerra.
Entretanto, a campanha de desinformação liderada por Vladimir Putin ganhou um importante aliado: a China, que fornece cobertura retórica para o Kremlin enquanto mantém uma posição neutra. O relatório da Alliance for Securing Democracy (ASD), uma parte do think tank norte-americano German Marshall Fund, descreve como a China promove narrativas favoráveis ao Kremlin, evitando palavras como "guerra" e "invasão" e, em vez disso, usando termos mais neutros, como "operação militar especial" - adotados oficialmente pelo Kremlin.
O relatório da ASD também destaca que a China dá mais destaque às vozes russas do que às ucranianas, com Sergei Lavrov, ministro russo das Relações Exteriores, sendo três vezes mais citado pela mídia estatal e diplomática chinesa no Twitter do que seu homólogo ucraniano Dmytro Kuleba.
Além disso, o presidente russo, Vladimir Putin, teve oito vezes mais citações do que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. A China também tem dado mais voz a analistas pró-Moscou, como o ex-político do Reino Unido George Galloway, cuja conta no Twitter está rotulada como integrante da "mídia estatal afiliada à Rússia". Essa estratégia contribui para difundir a versão russa dos fatos, o que pode levar a uma influência maior da Rússia na região.
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