Monday, 08 de June de 2026
29/08/2022   13:31h - Mundo

China dribla embargo e usa estatal de defesa para buscar petróleo na Venezuela

Beijing contratou a estatal China Aerospace Science and Industry Corp (CASIC), sua maior fabricante de mísseis, para enviar milhões de barris de petróleo venezuelano ao país, apesar do embargos EUA às petrolíferas da nação sul-americana. As remessas são parte de um acordo para a compensação de uma dívida bilionária de Caracas com a China que data da era Chávez, segundo reportagem da agência Reuters.

 

A CASIC transporta o combustível fóssil venezuelano desde novembro de 2020 em três navios-tanque adquiridos no mesmo ano da PetroChina, uma unidade de capital aberto da China National Petroleum Corp (CNPC), petrolífera semi-estatal que parou de transportar petróleo venezuelano em agosto de 2019 por conta das sanções impostas por Washington. O armazenamento é feito em uma instalação industrial, também adquirida da PetroChina.

 

As penalidades foram impostas pelo governo de Donald Trump para deter todas as exportações de petróleo da Venezuela e, assim, dificultar o controle de Maduro sobre o país.

 

Os navios-tanque da empresa já carregaram 13 cargas, transportando cerca de 25 milhões de barris de petróleo, incluindo dois que devem chegar à China em setembro, segundo documentos da petroleira estatal venezuelana PDVSA. Os embarques, avaliados em US$ 1,5 bilhão, foram declarados “petróleo bruto” pela alfândega chinesa, disse uma fonte ouvida sob condição de anonimato pela reportagem, sem especificar a origem.

 

“Esses embarques estão estritamente sob um mandato do governo, onde a CASIC foi designada para mover o petróleo como pagamento para compensar a dívida venezuelana com a China”, explicou a fonte.

 

Além dos pagamentos de dívidas, outras cargas, como o custo das vacinas Covid-19, também são pagas com essas vendas de petróleo, disseram as fontes.  Em 2007, o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez tomou emprestado mais de US$ 50 bilhões de Beijing sob um acordo de empréstimo de petróleo. Em agosto de 2020, o governo chinês concordou em estender o período de carência para um empréstimo de US$ 19 bilhões.

 

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