Tuesday, 09 de June de 2026
28/06/2021   10:00h - Meio Ambiente

Cheia do Rio Negro afetou 8 mil famílias em Manaus

 A Prefeitura de Manaus estima que mais de 8 mil famílias foram prejudicadas com a cheia do rio Negro, em 21 bairros diferentes, segundo apuração do Greenpeace Brasil. Ao todo já foram construídos mais de 13 mil metros de pontes e aplicadas 20 toneladas de cal em diferentes locais – para diminuir o forte odor da água suja que entra nos becos e nas casas das pessoas.

A dona de casa Cíntia dos Santos Silva, 55, mora no bairro Colônia Antônio Aleixo. Sua casa possui dois andares – mas o primeiro deles foi completamente tomado pelas águas. Com isso, sua filha e três netos que moravam lá tiveram que se mudar de maneira emergencial para o andar de cima. Nesse processo foram perdidos cama, fogão, fogão industrial, mesa e geladeira. “Além disso, são dez pessoas que moram aqui em casa. Hoje ninguém pode mais comer carne.

O quilo do picadinho aqui pela vizinhança tá em R$ 25. Quando não temos nada ainda tentamos pescar, mas acontece de às vezes a gente não saber o que vai jantar”, disse Cíntia. Segundo o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Jochen Schongart, o aumento das cheias na Amazônia é uma consequência direta do aquecimento do Atlântico Tropical, a porção do oceano mais próxima da linha do Equador. “Com o Oceano Atlântico aquecido, os ventos que vêm do oceano vêm mais quentes e trazem mais umidade para a Amazônia. Essa importação de vapor de água é a causa desse tanto de chuvas e aumento de cheias que verificamos na região”, afirmou o cientista.

Na última semana, o Greenpeace realizou uma entrega de alimentos para famílias que vivem em regiões alagadas. Foram doadas 1 mil cestas básicas compostas de itens como arroz, feijão, óleo, café e macarrão. As doações somaram 10 toneladas de alimentos, destinadas a 440 famílias dos bairros Colônia Antônio Aleixo e Educandos, nas zonas Leste e Sul de Manaus – dois dos locais mais castigados pelas águas do rio Negro. 

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