Uma investigação por corrupção derrubou nesta sexta-feira (28) Andrii Iermak, chefe de gabinete do presidente Volodimir Zelenski e figura mais influente do governo ucraniano depois do próprio presidente. Considerado peça-chave nas negociações de paz com a Rússia, Iermak teve sua casa alvo de uma operação autorizada pela Justiça, segundo o Escritório Nacional Anticorrupção (Nabu) e a Procuradoria Anticorrupção (Sapo). Embora o teor da investigação não tenha sido divulgado, sua saída foi anunciada por Zelenski horas depois, sob a justificativa de preservar “a unidade nacional”.
A suspeita é de que a ação esteja ligada ao megaesquema de desvio de pelo menos US$ 100 bilhões do setor de energia, que já provocou a queda dos ministros da área e da Justiça. Iermak, de 54 anos, afirmou colaborar com as apurações. Sua demissão ocorre meses após o presidente tentar restringir os poderes das agências anticorrupção para investigar autoridades de alto escalão, incluindo o próprio chefe de gabinete, movimento que desencadeou os primeiros grandes protestos contra Zelenski desde o início da invasão russa em 2022. Pressionado interna e externamente, o presidente recuou na época, e agora vê os órgãos atuarem no coração do governo.
A crise política surge em um momento delicado para Zelenski. Sem eleições devido ao estado de sítio, seu mandato já expirado se tornou alvo de ataques de adversários internos e de Vladimir Putin, que o chamou de “ilegítimo”. O ex-chefe das Forças Armadas, Valeri Zalujni, desponta como potencial sucessor quando as eleições forem retomadas. No cenário internacional, Rússia e Estados Unidos seguem envolvidos na negociação de um possível acordo de paz.
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