quinta, 23 de abril de 2026
28/09/2025   09:00h - Animais

Cervejinha ancestral? Estudo aponta que gosto humano por álcool pode vir dos chimpanzés

Um novo estudo científico reacendeu o debate sobre as origens do consumo de álcool entre os humanos, sugerindo que a atração pela “cervejinha” pode ter raízes evolutivas herdadas de nossos ancestrais primatas. Publicada na revista Science Advances, a pesquisa revelou que chimpanzés ingerem diariamente cerca de 14 gramas de etanol ao consumir frutas maduras e fermentadas o equivalente a aproximadamente duas latas de cerveja para um adulto.


A equipe de cientistas analisou o comportamento alimentar de chimpanzés na Costa do Marfim e em Uganda, constatando que os animais preferem frutos doces, como figos e ameixas, justamente os que apresentam maior teor alcoólico natural. Apesar da ingestão constante, os macacos raramente ficam embriagados, já que o consumo ocorre de forma diluída ao longo do dia. Para os pesquisadores, isso indica que o etanol não afasta os animais podendo até servir como pista sensorial de alimentos calóricos e energéticos.


A descoberta reforça a chamada “hipótese do macaco bêbado”, proposta há quase 20 anos pelo biólogo Robert Dudley, que sugere que a predileção humana por bebidas alcoólicas seria um legado evolutivo da busca por frutos maduros. Embora ainda haja controvérsias, a teoria ganha cada vez mais respaldo. Segundo Dudley, compreender essa herança pode ajudar a explicar não apenas a afinidade cultural dos humanos pelo álcool, mas também os riscos do consumo excessivo e os desafios relacionados à dependência. 

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