O Cerrado, que ocupa mais de 62% do território de Mato Grosso do Sul, mantém atualmente apenas 25% de sua vegetação nativa preservada. O bioma lidera o índice de desmatamento no Brasil, impulsionado pela conversão de terras para a agropecuária. Especialistas alertam que essa degradação acelerada coloca em risco o futuro do Pantanal, já que o Cerrado é o principal responsável pelo abastecimento hídrico da maior planície inundável do mundo.
De acordo com estudos da Universidade de Brasília (UnB), o Pantanal recebe do Cerrado mais água do que devolve às bacias. A vegetação nativa do bioma atua como uma "floresta invertida", com raízes profundas que permitem a recarga dos aquíferos que alimentam os rios pantaneiros. Sem essa cobertura vegetal, o ciclo de inundação do Pantanal fica comprometido, aumentando a vulnerabilidade da região a secas e incêndios.
Além da pressão ambiental, pesquisadores apontam a falta de políticas públicas específicas e uma visão equivocada sobre a importância da flora local como grandes obstáculos para a conservação. O alerta é claro: se a destruição do Cerrado continuar no ritmo atual, a regulação hídrica necessária para a sobrevivência do Pantanal pode sofrer um colapso irreversível, impactando a biodiversidade e a economia do Estado.
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