O Janeiro Branco, movimento dedicado à conscientização sobre saúde mental, ganha ainda mais relevância no ambiente corporativo diante de um cenário preocupante no Brasil. Em 2024, o país registrou mais de 470 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais como ansiedade, depressão e estresse crônico, segundo dados do Ministério da Previdência Social. O número representa o maior patamar da última década e evidencia que o adoecimento emocional deixou de ser um tema individual para se tornar um desafio organizacional.
A pressão por resultados, a hiperconectividade, jornadas prolongadas e a dificuldade de separar vida pessoal e profissional estão entre os principais fatores associados ao avanço desses quadros. Estudos da Organização Mundial da Saúde apontam que ansiedade e depressão já são responsáveis pela perda de cerca de 12 bilhões de dias úteis por ano no mundo, com impacto econômico estimado em US$ 1 trilhão.
No contexto das empresas, os sinais nem sempre aparecem de forma explícita. Queda de produtividade, aumento do absenteísmo, presenteísmo e rotatividade elevada costumam ser alguns dos primeiros indícios de que a saúde emocional das equipes está comprometida. Por isso, o Janeiro Branco tem sido encarado como um ponto de partida para discussões mais estruturadas sobre prevenção e cuidado contínuo ao longo do ano.

A Vixting é uma startup HR & Health Tech que oferece soluções inovadoras para a digitalização da saúde ocupacional e admissional. A empresa conta com uma plataforma integrada que otimiza processos, reduz a carga manual do RH e permite uma gestão mais eficiente da saúde e segurança dos trabalhadores. Com uma rede de mais de 1.900 médicos parceiros e um forte portfólio de clientes de diversos setores, a Vixting é referência em saúde ocupacional no Brasil.
Ao ON Jornal, o CEO Michel Cabral, falou sobre o maior desafio das empresas e o caminho para dar melhor qualidade de vida para o empregador e funcionário. Confira.
ON Jornal - Michel, o Brasil atingiu em 2024 o maior patamar de afastamentos por transtornos mentais da última década. Como a digitalização da saúde ocupacional pode ajudar as empresas a reverterem essa tendência em 2026?
Michel Cabral: A digitalização muda o jogo porque tira a saúde ocupacional do campo burocrático e leva para o campo estratégico. Quando falamos de transtornos mentais, o tempo é decisivo. Processos digitais permitem acompanhar dados em tempo real, identificar padrões de adoecimento e agir antes que o problema se torne um afastamento. Em 2026, as empresas que conseguirem integrar dados de saúde, gestão de pessoas e indicadores de risco terão mais controle, mais previsibilidade e, principalmente, mais capacidade de cuidado com as pessoas.
ON Jornal - Você menciona que o maior desafio é abandonar a postura reativa. De que maneira os indicadores monitorados pela Vixting permitem ao RH antecipar crises antes que o afastamento ocorra?
Michel Cabral: A postura reativa começa quando o RH só age depois do atestado. O que fazemos na Vixting é oferecer indicadores que mostram o que está acontecendo antes disso. Frequência de exames, reincidência de queixas, histórico de afastamentos, áreas com maior pressão e dados cruzados com jornadas e funções. Esses sinais, quando analisados juntos, mostram onde existe risco real. Assim, o RH deixa de apagar incêndios e passa a atuar de forma preventiva e estratégica.
ON Jornal - A Vixting desenvolveu um módulo específico para atender à NR-1 focado em riscos psicossociais. Como essa ferramenta auxilia as empresas?
Michel Cabral: A nova NR-1 trouxe uma responsabilidade clara para as empresas, que é mapear e gerenciar riscos psicossociais. Nosso módulo transforma essa exigência em algo prático. Ele ajuda a identificar fatores como sobrecarga, pressão emocional e falhas na comunicação interna, tudo de forma estruturada e segura. Com isso, a empresa não apenas cumpre a norma, mas passa a ter uma visão real dos riscos que impactam a saúde mental e a produtividade dos colaboradores.
ON Jornal - Considerando que ansiedade e depressão geram um impacto econômico global de US$ 1 trilhão, como você convence os gestores de que o investimento em saúde mental é, na verdade, uma estratégia de sustentabilidade financeira para o negócio?
Michel Cabral: Eu costumo dizer que saúde mental não é custo, é proteção do negócio. Quando um colaborador se afasta, o impacto não é só humano, é financeiro, operacional e cultural. A empresa perde produtividade, conhecimento e engajamento. Investir em saúde mental reduz afastamentos, melhora o clima organizacional e aumenta a retenção de talentos. No final, os números mostram que prevenir custa muito menos do que remediar.

ON Jornal - Muitas vezes o adoecimento emocional aparece de forma silenciosa. Como as novas tecnologias conseguem mapear áreas vulneráveis dentro de uma organização para identificar esses sinais invisíveis?
Michel Cabral: O adoecimento silencioso deixa rastros nos dados. A tecnologia consegue enxergar o que, no dia a dia, passa despercebido. Aumento de faltas, queda de desempenho, repetição de exames, setores com maior rotatividade ou afastamentos recorrentes. Quando esses dados são organizados e analisados de forma inteligente, eles mostram exatamente onde estão as áreas mais vulneráveis. Isso permite ações direcionadas e mais eficazes.
ON Jornal - Para além da campanha pontual do Janeiro Branco, qual é o papel das lideranças na construção de um ambiente emocionalmente seguro e como os dados estratégicos da sua plataforma podem orientar esses líderes no dia a dia?
Michel Cabral: Campanhas são importantes, mas o ambiente emocionalmente seguro se constrói todos os dias. A liderança tem um papel central nisso, porque é ela quem define o ritmo, o tom e a forma como as pessoas se sentem no trabalho. Os dados da nossa plataforma ajudam o líder a entender sua equipe de forma mais clara, identificar sinais de alerta e tomar decisões mais conscientes. Liderar com dados é liderar com responsabilidade, empatia e visão de futuro.

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