O escritor Tom Cardoso lança a biografia *“Eu Queria Ser Cássia Eller”*, na qual se define não como biógrafo, mas como um “perfilista”, termo que ele próprio admite não existir, mas que considera adequado para seu método de escrita. Conhecido por obras sobre figuras centrais da cultura brasileira, Cardoso afirma que seu objetivo é traçar retratos profundos de personagens marcantes, mais do que seguir o formato tradicional de biografia.
Ao explicar a escolha por Cássia Eller, morta em 2001 aos 39 anos, poucos meses após o sucesso do álbum *Acústico MTV*, o autor destaca a combinação entre uma carreira musical consistente e uma vida pessoal intensa. Segundo ele, a cantora reunia elementos que rendem uma narrativa potente, como o talento artístico, a timidez, o envolvimento com drogas e a morte precoce. Cardoso lembra que já escreveu sobre diversos homens e que voltou a se interessar por biografar mulheres após a experiência com Nara Leão, sua primeira personagem feminina.
O autor também critica a ideia de que apenas pessoas de determinados grupos podem escrever sobre certos personagens, rejeitando o conceito de “lugar de fala” aplicado rigidamente à literatura biográfica. Cardoso afirma que a existência de uma biografia anterior sobre Cássia Eller não foi um obstáculo e defende que nenhum biógrafo é “dono” de seu personagem. Para ele, diferentes olhares podem — e devem — coexistir para ampliar a compreensão sobre figuras relevantes da cultura brasileira.
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