quinta, 24 de setembro de 2026
24/09/2026   15:00h - Economia

Carta Dudu da Floresta propõe nova economia para a Amazônia

Uma proposta para reconhecer e valorizar o trabalho de povos indígenas, comunidades tradicionais e populações extrativistas foi apresentada no arquipélago do Marajó, no Pará. A iniciativa está reunida na Carta de Compromisso Dudu da Floresta, lançada em 12 de setembro durante o encerramento da Semana Dudu da Floresta – Sociobiodiversidade e Bem-Viver. O documento defende a criação de novas formas de medir a contribuição econômica, social e ambiental de quem vive e trabalha na floresta.

 

A carta foi elaborada pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade de Brasília (UnB), com assinatura da economista Mariana Mazzucato. A proposta é aproximar conhecimentos tradicionais, pesquisa acadêmica e políticas públicas para desenvolver o conceito de Economia da Floresta Viva. A ideia também é reconhecer que atividades como extrativismo, pesca artesanal, agricultura familiar e manejo comunitário geram benefícios que ultrapassam os territórios amazônicos.

 

A programação homenageou Dulcimar Baratinha de Moraes, conhecido como Dudu da Floresta, liderança de Curralinho que atuou na organização de populações extrativistas e no fortalecimento de práticas sustentáveis de manejo do açaí. Durante o evento, mais de 120 pessoas participaram de atividades sobre organização comunitária, cartografia social e direitos territoriais. Os participantes também visitaram comunidades para conhecer atividades ligadas à produção de açaí, pesca artesanal e turismo de base comunitária.

 

Outro destaque foi o debate sobre mecanismos capazes de reconhecer o valor produzido por quem conserva a floresta. A Semana Dudu da Floresta também apresentou bolsas de pós-graduação da UFPA destinadas a lideranças de territórios de uso comum na Amazônia. A programação foi promovida pelo CNS, pela Cooperativa dos Produtores Extrativistas do Rio Pagão, UFPA e UnB e integrou ações do projeto “Porongaço: Caminhos da Regularização Fundiária dos Territórios da Floresta”, voltado à defesa dos direitos territoriais das comunidades amazônicas.

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