A expansão gradual do acesso ao aborto no Chile corre o risco de sofrer uma reversão drástica, à medida que o candidato de extrema-direita José Antonio Kast, um católico fervoroso que se opõe até mesmo à pílula do dia seguinte, avança rumo a provável vitória no segundo turno das eleições presidenciais, em dezembro.
O aborto no Chile, que foi completamente proibido durante a ditadura militar do general Augusto Pinochet (1973-1990), foi parcialmente descriminalizado em 2017, tornando-se legal apenas em casos de risco à vida da mulher, inviabilidade fetal e estupro. Kast não só procurou bloquear uma proposta de flexibilização das restrições ao aborto, apoiada pelo governo de esquerda Boric, que está de saída, como também revogar as exceções existentes à proibição.
Essas medidas representariam o maior retrocesso do país em relação aos direitos reprodutivos em décadas. Pai de nove filhos, Kast é um aliado de coalizão de Johannes Kaiser, um cristão ortodoxo chileno que também pressionou para que se reconsidere a legalização do aborto após estupro.
As pesquisas, no entanto, mostram que a opinião pública apoia, de forma esmagadora, a manutenção dos direitos ao aborto.
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