O uso da terra é o principal responsável pelas emissões de gases de efeito estufa no Brasil, e enfrentá-lo será o maior desafio para o cumprimento das metas climáticas assumidas pelo país, segundo o secretário nacional substituto de Mudança do Clima do MMA, Aloisio Melo. Durante plenária na 5ª Conferência Nacional de Meio Ambiente, ele destacou que será preciso reduzir não apenas o desmatamento ilegal, mas também rever práticas legalizadas da agropecuária, tornando a produção mais eficiente e sustentável. “Temos que ir além da lei: desmatamento legalizado também precisa diminuir”, afirmou.
A atualização da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil, apresentada em 2024, estabelece uma redução de até 67% nas emissões até 2035, em comparação com os níveis de 2005. O esforço é urgente: 2024 foi o ano mais quente da história, e os primeiros meses de 2025 indicam que a barreira crítica de 1,5°C de aumento da temperatura média global já foi ultrapassada. Melo reforçou que o atraso no cumprimento das metas do Acordo de Paris estreita a janela de adaptação. “Os extremos climáticos vieram para ficar. Precisamos agir agora”, alertou.
A plenária também ouviu representantes de comunidades tradicionais, indústria e sociedade civil. Ana Paula Santos, da Confrem, denunciou os impactos diretos da crise climática sobre os povos indígenas e extrativistas, enquanto Caroline Frasson, da Laclima, destacou que o Brasil pode usar o “vácuo” nas ações de mitigação global para valorizar suas demandas internas. Já Mario Cardoso, da CNI, cobrou planejamento e estrutura para transformar o potencial ambiental do país em liderança climática real. A conferência prossegue até esta sexta-feira (9).
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