Brasil mantém um dos juros reais mais altos do mundo, de acordo com um levantamento realizado pela gestora Infinity Asset Management. O país lidera o ranking entre as 40 principais economias globais, com uma taxa de juros corrente descontada a inflação de 7,4% em fevereiro. Especialistas atribuem esse cenário à atual meta de inflação do país, somada às expectativas de gastos por parte do novo governo.
Apesar da expectativa de que o Banco Central iniciasse o corte dos juros no meio deste ano, a continuidade da Selic em patamares elevados se deve, em grande parte, aos sinais fiscais negativos emitidos pelo governo. De acordo com Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, a permanência da taxa não é um efeito de política monetária nem de inflação, mas sim um efeito de deterioração das expectativas.
Em sua última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75%, o maior nível desde 2016. O Brasil já liderou o ranking de juros reais globais em quatro levantamentos consecutivos da Infinity Asset, que renova o ranking a cada reunião do Copom.
Diante desse cenário, especialistas afirmam que o governo precisa gerenciar melhor as expectativas fiscais, a fim de evitar que elas desancorem as expectativas de mercado e contribuam para a continuidade dos juros em patamares elevados. A expectativa é que, com a implementação de medidas fiscais e ações que ajudem a controlar a inflação, o Banco Central possa iniciar o corte dos juros ainda este ano.
Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.