Pesquisadores do Instituto de Biologia Evolutiva de Barcelona e do Instituto Wellcome Sanger, no Reino Unido, confirmaram uma descoberta surpreendente: a atlas azul (Polyommatus atlantica), pequena borboleta nativa das montanhas do Norte da África, é o animal conhecido com o maior número de cromossomos. Enquanto nós, humanos, temos 23 pares, ou 46 no total, essa espécie carrega impressionantes 229 pares por célula. Segundo os cientistas, o fenômeno é resultado de milhões de anos de fragmentação cromossômica. Os ancestrais da borboleta possuíam cerca de 24 cromossomos, mas sucessivos eventos de divisão multiplicaram esse número até chegar ao atual recorde. Alterações desse tipo normalmente seriam fatais, mas, no caso do atlas azul, não impediram sua sobrevivência pelo contrário, a espécie se mantém estável há cerca de 3 milhões de anos. Além de ser uma curiosidade genética, a descoberta pode ter implicações médicas. A reorganização cromossômica também ocorre em células cancerígenas humanas, e entender como a borboleta resiste a essas mudanças pode ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos. Para os pesquisadores, o estudo abre caminho para refletir sobre como a diversidade genética da natureza guarda respostas para questões de saúde humana.
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