O bispo Hermes Fernandes dirigia seu automóvel acompanhado da esposa na rua Barão do Bom Retiro, em Engenho Novo, no Rio de Janeiro, quando foi surpreendido por um sedan prata de placa não divulgada. O motorista que não teve seu nome revelado foi embora em alta velocidade quando outros carros começaram a buzinar na via.
O bispo estava a 500 metros da sede de sua igreja. “Foi preocupante, porque eu já havia visto uma vez uma cena muito séria naquele mesmo ponto. Após o culto, à noite, vi três homens armados renderem um pai e seus dois filhos, retirando-os do carro violentamente e deixando-os na avenida. Nesse dia, um dos homens ficou com a arma apontada para os três e um outro, com a arma apontada na minha direção. Eu também estava com minhas filhas no carro”, relatou o bispo em entrevista.
A igreja de Fernandes havia sido invadida durante a madrugada de 22 de setembro deste ano. Um aparelho de ar condicionado foi roubado. Vizinhos testemunharam o crime e alertaram Fernandes. O bispo chamou a polícia, mas o boletim de ocorrência não foi registrado. “Eu estranhei, porque os policiais chegaram assustados, perguntando como estava o clima e olhando para todos os lados para ver se viam alguém. Só disseram que eu devia colocar uma cerca elétrica na igreja e que não dava para fazer nada. Não deram muita importância. Eu fiquei abismado”, contou Fernandes.
O bispo vem recebendo ameaças e ataques em suas redes sociais há meses por se manifestar em público como um opositor do atual presidente da República, Jair Bolsonaro. Hermes decidiu deixar o país novamente. “Não vejo condições de continuar aqui até o dia da eleição. Viajarei antes e quero estar muito longe quando sair o resultado. Nem posso dizer o que vou fazer e para onde vou. Quando a poeira baixar, eu volto”, anunciou.