Um pinheiro de Natal com 15 metros de altura voltou a dominar a Praça da Manjedoura, em Belém, rivalizando com a Basílica erguida sobre a gruta onde, segundo a tradição cristã, nasceu Jesus. A cena, comum em outros tempos, ganha um novo significado em 2025. Após dois anos sem festejos, a prefeitura decidiu retomar as celebrações natalinas, incluindo o tradicional acendimento da árvore, suspensas anteriormente em solidariedade às vítimas palestinas da guerra na Faixa de Gaza. Segundo o prefeito Maher Nicola Canawati, o objetivo é resgatar a esperança e fortalecer a resiliência da população local, abalada por anos de violência e incertezas.
A retomada das festividades ocorre em um contexto de cauteloso otimismo, impulsionado pelo cessar-fogo em vigor na Faixa de Gaza desde outubro. Ainda assim, o clima está longe de ser de celebração plena. A região continua marcada pela violência diária, com mortes registradas em Gaza e o aumento das tensões na Cisjordânia, território ocupado por Israel há décadas e do qual Belén faz parte. A presença de turistas estrangeiros começa a reaparecer timidamente, com visitantes registrando o momento em fotos e personagens natalinos circulando pela praça.
Entre os moradores, o sentimento predominante é uma mistura de exaustão, necessidade de seguir em frente e dificuldades econômicas profundas. Conversas nas ruas revelam uma população que tenta equilibrar o simbolismo do Natal com a dura realidade do conflito prolongado. Para muitos, a volta das celebrações não representa um esquecimento do sofrimento recente, mas um esforço coletivo para manter viva a esperança em meio a um cenário ainda marcado pela instabilidade e pela dor.
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