Monday, 08 de June de 2026
09/05/2025   13:20h - Meio Ambiente

Baía de Guanabara afunda em chorume: 1 bilhão de litros por ano poluem cartão-postal do RJ

A Baía de Guanabara, um dos cenários mais emblemáticos do Rio de Janeiro, recebe diariamente 3 milhões de litros de chorume – o líquido altamente poluente proveniente da decomposição do lixo doméstico. Isso representa cerca de 1 bilhão de litros ao ano despejados diretamente no ecossistema marinho que banha 12 municípios fluminenses. A denúncia, feita pelo movimento Baía Viva, revela ainda que mais de 500 milhões de litros do resíduo estão estocados de forma precária em áreas urbanas. Para Sérgio Ricardo Potiguara, fundador do movimento e mestre em ciências ambientais, trata-se de uma “crise silenciosa e contínua que ameaça a saúde pública, a pesca artesanal, a biodiversidade e o turismo”.

 

Apesar de o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) afirmar não haver provas do despejo irregular, especialistas apontam falhas na fiscalização, no tratamento e na legislação vigente. O chorume, muitas vezes diluído em esgoto comum e tratado de forma inadequada, escapa pelos antigos lixões ou pelos aterros mal geridos, infiltrando-se no solo e vazando para rios e a própria baía, especialmente durante o período de chuvas. “O chorume sequestra o oxigênio da água e mata os peixes. É um crime ambiental de larga escala”, afirma o professor Carlos Canejo.

 

O Programa de Saneamento Ambiental (PSAM), com recursos do BID e do Fundo Estadual, já entregou algumas obras, mas o histórico de abandono, como no antigo PDGB, gera desconfiança sobre a efetividade dessas ações.

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