quarta, 21 de outubro de 2026
22/09/2026   14:00h - Meio Ambiente

Avanço de estradas na BR-319 impulsiona desmatamento e agropecuária na Amazônia

Mesmo antes do início formal das obras de asfaltamento no "trecho do meio" da rodovia BR-319, a abertura de vias clandestinas e ramais não oficiais provocou um crescimento de 70% na malha rodoviária irregular no sul do Amazonas. Dados divulgados pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) revelam que a extensão dessas estradas saltou de 3,9 mil para 6,6 mil quilômetros entre os anos de 2020 e 2025. Pesquisadores alertam que a expansão dessas rotas alternativas facilita o acesso a áreas de floresta nativa que antes estavam preservadas e isoladas.

 

A atividade agropecuária expandiu-se de forma expressiva nos arredores da rodovia que conecta as capitais Manaus e Porto Velho. De acordo com o monitoramento da rede MapBiomas, a área convertida para uso agropecuário dentro de um raio de 5 quilômetros ao longo da via cresceu de 81,3 mil para 118 mil hectares no mesmo período de cinco anos. Esse adensamento econômico contrasta com as advertências de ambientalistas e especialistas, que apontam o risco de destruição de um dos blocos de floresta tropical mais intactos do sul do estado, enquanto o governo federal assegura que o projeto será executado sob rigorosos critérios de proteção ambiental.

 

Apesar disso, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) deu andamento a intervenções na rodovia sob a justificativa jurídica de editais de "manutenção", somando contratos que ultrapassam a marca dos 940 milhões de reais. Entre as últimas movimentações operacionais está a recente contratação da construtora Meirelles Mascarenhas, por 182,4 milhões de reais, para executar obras de asfalto em um segmento de 36,5 quilômetros situado no município amazonense de Manicoré.

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