quinta, 23 de abril de 2026
02/04/2021   08:20h - Especial

Autismo: Doença ou condição?

 O autismo, é um transtorno de desenvolvimento que se manifesta tipicamente antes dos três anos de idade. Este transtorno compromete todo o desempenho psico-neurológico afetando a comunicação, tais como a fala, entendimento e também o convívio social. Muitas vezes apresenta retardo mental, que segundo pesquisa, 60% dos autistas sofrem de epilepsias.

Chamado de Transtorno do Espectro Autista, é um Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) que tem influência genética e é causado por defeitos em partes do cérebro, como o cerebelo, por exemplo.

Para o autista, o relacionamento com outras pessoas costuma não despertar interesse. O contato visual com o outro é ausente ou pouco frequente e a fala, usada com dificuldade. Algumas frases podem ser constantemente repetidas e a comunicação acaba se dando, principalmente, por gestos. Por isso, evita-se o contato físico no relacionamento com o autista – já que o mundo, para ele, parece ameaçador. Insistir neste tipo de contato ou promover mudanças bruscas na rotina dessas crianças pode desencadear crises de agressividade.

Para minimizar essa dificuldade de convívio social, vale criar situações de interação. Respeite o limite da criança autista, seja claro nos enunciados, amplie o tempo para que ele realize as atividades propostas e sempre comunique mudanças na rotina antecipadamente. A paciência para lidar com essas crianças é fundamental, já que pelo menos 50% dos autistas apresentam graus variáveis de deficiência intelectual. Alguns, ao contrário, apresentam alto desempenho e desenvolvem habilidades específicas – como ter muita facilidade para memorizar números ou deter um conhecimento muito específico sobre informática, por exemplo. Descobrir e explorar as ‘eficiências’ do autista é um bom caminho para o seu desenvolvimento.

Autismo em meninas

Os aspectos de comportamento em meninas são diferentes dos meninos, o que acaba dificultando o diagnóstico.

“As meninas são mais inteligentes, mais sociáveis e geralmente não apresentam um atraso significativo na fala. Também não tem apego a objetos como dinossauros, legos, carrinhos, não tem o hiperfoco como os meninos tem, e isso acaba mascarando o diagnóstico”.

Segundo pesquisas, de cada dez pessoas diagnosticadas com TEA, apenas uma é mulher.  O Psicólogo, Dr. Jorge Trajano, dono do Centro Médico Mais Saúde em Manaus, afirma que ainda não se sabe o porquê de a condição predominar entre homens e explica mais um motivo para a dificuldade na identificação em mulheres.

“Não existe uma explicação cientifica para este fato ainda. O Diagnostico em meninas também é mais difícil por conta de que, sempre tem um irmão autista e aí acaba que, o profissional fica em dúvida se é autismo mesmo ou se ela está imitando o irmão”.

A presidente da Associação de Pais, Profissionais e Amigos dos Autistas de Brusque e Região (AMA Brusque), Guédria Motta, destaca que quando iniciou as leituras e cursos sobre autismo, foi informada que o espectro era muito mais comum em meninos do que em meninas e, exatamente por isso, a cor que representava o transtorno era o azul. Hoje, o símbolo foi atualizado para um grande quebra-cabeça colorido.

“Na época, quando se falava em autismo em meninas, havia relação com o quadro mais severo do espectro, com comunicação e interação social bastante comprometidas e a presença marcante de estereotipias. Hoje já se sabe que não é bem a verdade, e que uns tantão de meninas autistas caminham entre nós”, diz. 

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