quinta, 23 de abril de 2026
12/08/2025   11:25h - Notícias Gerais

Assassinatos na Amazônia crescem após operações de combate ao tráfego aéreo clandestino; entenda

O aumento na quantidade de assassinatos na Amazônia nos últimos 20 anos está conectado à dinâmica do tráfico de drogas pelos rios da região e, de forma indireta, à política de interdição do espaço aéreo brasileiro contra aeronaves não autorizadas. A conclusão é de pesquisadores que analisaram dados que vão desde homicídios até o consumo de combustível para aviões na região.

A partir de 2004, quando novos sistemas de monitoramento aéreo passaram a permitir que aeronaves suspeitas fossem interceptadas pela Força Aérea Brasileira, traficantes passaram a usar os rios da região com mais intensidade. A mudança fez com que mais integrantes dos grupos criminosos se espalhassem ao longo das rotas fluviais para cuidar da logística: encontrar locais para abastecer os barcos, armazenar a droga, aliciar barqueiros, providenciar alimentação.

 

O estudo, do Insper, mostra que as comunidades ribeirinhas às margens das rota de cocaína concentraram a maior parte do aumento dos homicídios desde então. Municípios que não estavam nas rotas do tráfico também tiveram aumento de letalidade, porém muito menor e mais tardio.

 

A taxa de homicídios no Amazonas –onde estão mais da metade dos municípios por onde passam as rotas do tráfico– praticamente dobrou em duas décadas, mostram estatísticas do governo estadual: de 2004 a 2024, a letalidade foi de 13,6 para 24,6 mortes por 100 mil habitantes. O pico de assassinatos ocorreu em 2021, com 35,1 homicídios por 100 mil (158% maior do que no início da interdição aérea).

 

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