A Amazônia sofre um colapso temporário em sua função de “pulmão do planeta” e interrompe a absorção de dióxido de carbono (CO_2) durante o fenômeno El Niño. De acordo com um estudo internacional publicado na revista Nature, o aquecimento extremo e as secas severas provocadas pelo fenômeno reduzem drasticamente a capacidade das florestas tropicais da América do Sul de mitigar o aquecimento global.
?Esse bloqueio ocorre como um mecanismo de defesa: para evitar a perda letal de água por evaporação sob forte calor, as árvores fecham seus estômatos (estruturas de troca gasosa). Essa reação interrompe a fotossíntese e a entrada de carbono, paralisando o crescimento da vegetação e dobrando a taxa de mortalidade de árvores de médio e grande porte devido a falhas hidráulicas em seus tecidos internos.
?O cenário é especialmente alarmante diante das previsões de calor recorde para 2026 e do aumento da frequência de episódios severos de El Niño nas últimas décadas. Sem tempo suficiente para que a floresta se recupere de secas anteriores, cientistas alertam que as áreas periféricas da bacia amazônica correm o risco de sofrer uma perda de massa florestal e uma liberação de carbono sem precedentes.
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