O feijão é americano por nascimento. Domesticado há milênios nas Américas, chegou ao Brasil muito antes de a mistura com o arroz virar rotina. Já o arroz que domina nossa mesa é asiático por origem e foi difundido pelos portugueses nos tempos coloniais, ganhando espaço em áreas alagadas e nas cozinhas urbanas. Quando esses dois grãos se encontraram, não foi amor à primeira vista, mas a história começou ali. Povos indígenas já dominavam mandioca, milho, pimentas e o próprio feijão em diferentes variedades. Muitas pessoas trouxeram técnicas, temperos e saberes culinários que mudaram para sempre o paladar do Brasil, somando dendê, quiabo, pimenta malagueta e a lógica do cozido robusto. Os portugueses adicionaram o arroz, o azeite, a carne salgada e o hábito do refogado. O resultado foi um caldeirão cultural que, aos poucos, aproximou os dois grãos. A dupla cresceu no prato de quem trabalhava muito e precisava de energia com custo baixo. Nas fazendas, senzalas e cidades, arroz e feijão entregavam saciedade e nutrição com ingredientes acessíveis. Na virada do século 19 para o 20, as cozinhas urbanas já tratavam a mistura como base de refeição, enquanto o interior trabalhava no mesmo sentido, cada qual com seu feijão preferido.
Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.