quinta, 23 de abril de 2026
25/03/2026   11:20h - Política Internacional

Argentina: cortes de Milei em políticas de direitos humanos geram crise no país

O governo de Javier Milei promove uma reestruturação profunda nas políticas de direitos humanos da Argentina, marcando os 50 anos do golpe militar de 1976 com cortes de verbas e um discurso revisionista. Espaços emblemáticos, como o memorial na antiga Escola de Mecânica da Armada (ESMA), enfrentam deterioração, demissões e restrições de funcionamento. As medidas fazem parte de um ajuste fiscal que atinge diretamente organizações históricas, como as Avós da Praça de Maio, responsáveis pela localização de crianças sequestradas durante a ditadura.

 

A nova postura oficial questiona o legado de "verdade e justiça" construído desde a redemocratização, com Milei classificando crimes do Estado como "excessos" e relativizando o número de 30 mil desaparecidos. Aliados do governo sustentam que a narrativa histórica anterior foi desequilibrada, o que tem gerado fortes críticas de especialistas da ONU e de organismos internacionais. Para familiares de vítimas, o impacto vai além do financeiro, representando um risco ao pacto social baseado na memória coletiva dos crimes cometidos entre 1976 e 1983.

 

Apesar da redução do apoio estatal, movimentos sociais e equipes forenses mantêm a resistência e a busca por identificação de vítimas em valas comuns. Os processos judiciais contra responsáveis pela repressão continuam tramitando, e as Mães da Praça de Maio seguem com seus protestos semanais em Buenos Aires. O cenário atual revela uma Argentina dividida, onde o Estado, antes um aliado na reparação histórica, é agora visto por críticos e sobreviventes como um obstáculo à preservação da memória.

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