Em um avanço inédito, cientistas conseguiram criar a primeira aranha geneticamente modificada do mundo usando a técnica CRISPR-Cas9 — uma espécie de “tesoura genética” capaz de alterar o DNA com precisão. A façanha, publicada esta semana na prestigiada revista Angewandte Chemie, envolveu a espécie Parasteatoda tepidariorum, uma aranha doméstica comum. O objetivo principal era estudar e, futuramente, aprimorar a seda produzida por esses animais, conhecida por ser mais resistente que o aço e altamente promissora em aplicações médicas e tecnológicas. Modificar aranhas, porém, foi um desafio. Esses animais têm um genoma complexo e não convivem bem em cativeiro — tendem a se devorar quando mantidos juntas, exigindo criação individual em laboratório. Para realizar a modificação, os pesquisadores injetaram um gene fluorescente nos óvulos antes da fertilização. Quando os filhotes nasceram, a seda produzida por eles brilhou sob luz especial, confirmando o sucesso da alteração genética. Segundo Thomas Scheibel, professor de biomateriais da Universidade de Bayreuth, essa é a primeira vez que a tecnologia CRISPR é usada para alterar a seda de aranha, abrindo novas possibilidades para a criação de materiais inovadores. Mais do que superar o medo popular por esses aracnídeos, a ciência está prestes a transformar as aranhas em aliadas valiosas — e agora, literalmente, brilhantes.
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