Apesar da queda nas mortes por AVC (Acidente Vascular Cerebral) após o pico registrado durante a pandemia, o número de pessoas com sequelas graves tem aumentado, levando a um crescimento expressivo nas aposentadorias por invalidez. Segundo o Ministério da Previdência Social, o total de aposentadorias concedidas por invalidez relacionadas ao AVC dobrou entre 2021 e 2023, passando de 1.522 para 3.014. O aumento reflete o impacto das sequelas na vida dos sobreviventes, muitos dos quais ficam incapacitados para o trabalho.
Além das aposentadorias por invalidez, os afastamentos temporários por AVC também subiram 23% entre 2021 e 2023, passando de 11.679 para 14.363. Esse aumento reforça a necessidade de tratamentos e reabilitação para reduzir as sequelas da doença. De acordo com Sheila Martins, neurologista e presidente da Rede Brasil AVC, o fortalecimento da rede de atendimento especializado e a incorporação de tratamentos como a trombectomia mecânica no SUS têm ajudado a diminuir o número de óbitos, mas o desafio permanece em oferecer suporte adequado para a recuperação dos pacientes.
Com a crescente demanda por aposentadorias por invalidez e o aumento de pessoas que necessitam de reabilitação prolongada, especialistas apontam que é fundamental expandir os centros de reabilitação e fortalecer as políticas de atendimento ao AVC. Ainda de acordo com a neurologista, as desigualdades regionais são uma barreira significativa, com escassez de centros especializados em várias regiões do país, o que afeta diretamente a recuperação dos pacientes e agrava o impacto socioeconômico da doença.
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