A morte de El Mencho marca o fim de um ciclo iniciado após a queda de líderes como Heriberto Lazcano e Joaquín El Chapo Guzmán. À frente do Cártel Jalisco Nueva Generación (CJNG), ele consolidou seu poder após a desintegração dos grandes cartéis tradicionais e se tornou um dos criminosos mais procurados pelos Estados Unidos. Sua ascensão ocorreu em meio à estratégia mexicana de “decapitar” as organizações criminosas, adotada desde o início da chamada guerra contra o narcotráfico.
Apesar da prisão ou morte de grandes chefes do crime, os índices de violência não diminuíram. Homicídios, desaparecimentos e crimes como extorsão atingiram níveis recordes nas últimas duas décadas. Em vez de enfraquecer o crime organizado, a eliminação de lideranças provocou uma fragmentação das facções: de oito grandes grupos identificados há cerca de dez anos, o número passou para mais de 80 estruturas menores, mais dispersas e imprevisíveis, com atuação diversificada em diferentes atividades ilícitas.
A reação violenta após a morte de El Mencho, com centenas de bloqueios registrados em diversos Estados mexicanos, demonstrou que o CJNG mantém forte capacidade operacional, funcionando de forma descentralizada, semelhante a um sistema de franquias. Especialistas alertam que, enquanto não forem combatidas as redes de apoio político e financeiro que sustentam essas organizações, a estratégia baseada apenas em operações militares continuará gerando novas ramificações do crime, em vez de sua redução efetiva.
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