quinta, 23 de abril de 2026
13/11/2025   12:00h - Notícias Gerais

Antigo prédio do Dops no Rio pode ser tombado como símbolo da memória e da luta democrática

O prédio que abrigou o antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no centro do Rio de Janeiro, terá o tombamento definitivo decidido no próximo dia 26 pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Construído em 1910 e palco de graves violações de direitos humanos durante períodos de repressão política, o edifício é considerado uma joia arquitetônica de inspiração francesa e um importante símbolo das lutas sociais em defesa da democracia e da liberdade.


O tombamento atende a pedidos de entidades civis e do Ministério Público Federal, que defendem a criação de um centro de memória no local. Fechado há mais de uma década e em estado precário, o prédio mantém elementos originais da época em que funcionava como sede da repressão, como carceragens, móveis, documentos e até a sala usada por Filinto Müller, chefe da polícia de Getúlio Vargas. Para o Coletivo RJ Memória, Verdade, Justiça e Reparação, que acompanha o caso, a preservação do imóvel é essencial para evitar o apagamento da história e garantir o direito à memória.


Durante décadas, o Dops foi usado para prender e torturar opositores de diferentes governos, entre eles Olga Benário, Nise da Silveira e Luís Carlos Prestes. Com o tombamento, o espaço ficará protegido contra descaracterizações e poderá servir como local de reflexão sobre a violência de Estado e a importância da democracia. “Esse prédio representa um passado que o Estado brasileiro tentou apagar”, afirmou o arquiteto Felipe Nin, sobrinho de um ex-preso político morto sob tortura.

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