quinta, 23 de abril de 2026
21/04/2026   13:40h - Meio Ambiente

Antibióticos no Rio Piracicaba em São Paulo expõem lacuna regulatória

A presença de antibióticos no Rio Piracicaba, confirmada por uma pesquisa do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP, destaca a vulnerabilidade dos mananciais brasileiros diante de poluentes emergentes. O estudo identificou resíduos farmacêuticos em águas e sedimentos, evidenciando que os sistemas de saneamento atuais não estão preparados para filtrar esses compostos, que chegam aos rios via esgoto doméstico e descarte agropecuário. Essa contaminação é mais crítica em períodos de seca, quando a baixa vazão reduz a capacidade de diluição dos resíduos e intensifica os riscos biológicos.

?O impacto dessa exposição ambiental ultrapassa a ecologia aquática, atingindo diretamente a saúde pública ao favorecer o surgimento de microrganismos multirresistentes. A resistência antimicrobiana é uma ameaça global que compromete a eficácia de tratamentos médicos e eleva custos hospitalares, tornando-se uma questão econômica e sanitária urgente. Embora o estudo explore soluções biológicas, como o uso da planta aquática Salvinia auriculata para absorver parte dos contaminantes, os pesquisadores alertam que essas técnicas são auxiliares e não substituem a necessidade de infraestrutura tecnológica mais robusta nas estações de tratamento.

?Diante desse cenário, o caso do Piracicaba expõe um vácuo regulatório, já que os parâmetros atuais de monitoramento de água no Brasil focam em carga orgânica e patógenos comuns, ignorando micropoluentes de alta persistência. A modernização da gestão hídrica exigirá a atualização das normas vigentes e a implementação de tecnologias de filtragem avançada, além de um controle mais rigoroso sobre a cadeia de descarte de medicamentos.

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