segunda, 03 de agosto de 2026
03/08/2026   08:00h - Economia

Análise: El Niño muda o mapa do risco elétrico e protege o balanço anual de energia

O sistema elétrico brasileiro chega ao El Niño em situação mais segura do que a memória das últimas crises hídricas poderia sugerir. Os reservatórios tornam pouco provável a ocorrência de problemas de fornecimento em 2026. Essa segurança, porém, protege o balanço anual de energia, não necessariamente a capacidade de entregá-la no lugar e no horário em que será demandada.

 

O principal risco imediato não é a falta de eletricidade, mas o custo de preservar água, atender aos horários de ponta e compensar desequilíbrios regionais de geração. Em 2026, o cenário mais provável é de operação mais cara e interrupções localizadas. Em 2027, uma estação chuvosa insuficiente poderá reduzir as margens justamente quando o planejamento oficial já identifica dificuldades de potência.

 

A bandeira tarifária amarela, mesmo com armazenamento confortável, mostra que reservatórios cheios não significam energia barata. As afluências diminuem em grande parte do país, atribuindo maior valor à água acumulada. Acionar termelétricas agora custa mais, mas reduz a exposição caso as chuvas entre o fim de 2026 e o início de 2027 sejam insuficientes. O consumidor paga, assim, uma espécie de prêmio de seguro. Utilizar intensamente os reservatórios reduziria custos no curto prazo, mas deixaria o sistema mais vulnerável no ano seguinte.

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