Neste domingo (12/6) se comemora o Dia dos namorados, uma data importante para celebrar o amor e afeto entre um casal. Mas, em muitos casos o que era um sonho acaba virando um pesadelo.
Umas das mais recentes notícias que ocorreu no mês de maio deste ano, e chamou a atenção dos internautas, foi história da jornalista Ana Luiza Dias, 37, que foi vítima de agressão e ainda ficou em cárcere privado, teve o seu maxilar quebrado e recebeu ameaças mesmo no hospital, pelo ex-namorado.
A jornalista disse que conheceu Fred Henrique Lima Moreira, de 30 anos, através de conhecidos em comum, e não fazia ideia da vida pregressa dele.
O caso repercutiu e deixou alguns leitores intrigados em relação aos desafios enfrentados nos relacionamentos e abriu um leque, entre elas: Como descobrir se é amor ou abuso?
A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que a violência no namoro entre é uma forma prematura da violência conjugal.
Diante disso, aponta que os programas de prevenção da violência no namoro constituem uma das evidências para a prevenção da violência nos relacionamentos. O jornal On, entrevistou a psicoterapeuta Lucia Neves, da clínica Casa Jaya para esclarecer o seu papel e ajudar muitas mulheres e homens que se encontram em um relacionamento abusivo.
De acordo com Lucia Neves, o primeiro passo é identificar quem é o abusivo e o abusado, e qual dos dois predomina nessa situação. “Muitas das vezes o próprio abusado ele se permite tanto ser abusado, que o outro acha que ele está gostando.
Então primeiro passo numa sessão de terapia é identificar o abusivo, qual o grau desse abuso e porque o abusado se permite, e identificar o estado psicológico, emocional, afetivo dos dois”, pontuou.
A psicoterapeuta explicou que existe uma complexidade quando se fala nos principais desafios enfrentados em um namoro, e o que os leva a se tronarem abusador e abusada.
Entre os desafios a especialista disse que estão a questão familiar e até de educação.
“O abusador pode ter vindo de uma família áspera, totalmente desiquilibrada na parte comportamental.
Então para essa pessoa, isso foi natural. Mas, isso não quer dizer que uma pessoa também não se torne abusiva. É difícil responder, mas a gente precisa ter um olhar humanizado para os dois, para o abusado e o abusador.
O abusador também precisa de tratamento, então é preciso um olhar muito atento e começar a observar, ‘ele está implicando com minha roupa, com minha unha, cabelo’, todo abuso começa com pequenas coisas”, alertou.
Lucia Neves ressaltou que existe milhares de formas de abuso. “Existem coisas que em uma pessoa machuca e na outra não machuca. Por exemplo, uma mulher pode se tornar terrivelmente ferida se alguém chama-lá de gorda e outras não.
Então, é preciso um estudo, antes de mais nada ter o autoconhecimento, autocontrole, ter uma observação comportamental, cada caso é um caso”, explicou.
A doutora disse que, em seu consultório ela atende alguns pacientes que estão se tratando de abusos e um homem e uma mulher que eram abusadores.
A psicoterapeuta destacou que é preciso estudar os comportamentos dos parceiros para identificar um relacionamento abusivo. “É preciso estar atento a pequenos detalhes”, enfatizou.
Após a identificação do abusador é preciso dar um passo e deixar de lado todo um sentimento construído durante anos ou meses. Lucia Neves disse que sair de um relacionamento tóxico não é uma tarefa fácil, mas é preciso buscar ajuda de profissionais especializados nesses distúrbios e principalmente receber o apoio da família.
“Bem complicado. Toda pessoa que passa por abuso no relacionamento ela sofre dois tipos de agravo, sofre do abusador, dos amigos, da família, porque ela é tratada como uma ‘besta’, que gosta de sofrer, ela não consegue sair dessa relação, e ouve frases do tipo: ‘Eu já não digo mais nada, um dia ela quebra a cara e acorda’.
As duas pessoas são problemáticas necessitam de tratamento e antes de mais nada é preciso que a família acolha a pessoa que está passando pelo abuso, com olhar de amor e carinho.
Porque enquanto ela for tratada como boba enão sai porque não quer, ela não vai sair nunca e, é aí que chegam as fatalidades, a família e os amigos julgam e deixam de estender a mão”, comentou.
A especialista disse que é muito raro algumas pessoas que estão passando por um relacionamento abusivo pedir ajuda, pois a mesma não enxerga a situação. “O abuso é semelhante a droga, a pessoa sofre, passa por todas as dificuldades, mas é muito raro aquele que diz, ‘chega preciso de ajuda’. Normalmente a família, um amigo estende a mão e durante uma conversa faz com que essa pessoa busque ajuda. Aí entra o olhar da família para que essa pessoa chegue a compreender e entender que ela precisa de ajuda”, comentou.
Lucia Neves ainda ressaltou que, os casos de relacionamentos abusivos são mais comuns do que imaginamos e nem sempre o abusivo é aquele que espanca ou comete algum tipo de violência física contra a mulher, que arruma outras mulheres na rua ou que humilha. “O abusivo é tudo aquilo que me faz mal, tudo aquilo que violenta o meu comportamento é abusivo”, reforçou.
A violência no namoro é um problema grave, não apenas pela sua alarmante prevalência a nível nacional e internacional, mas também pelas suas consequências ao nível da saúde física e mental.
A psicoterapeuta destaca que antes de se relacionar com alguém é preciso se conhecer. “Seja na juventude, na maturidade é preciso que nós mulheres procuramos nos conhecer e respeitar, ter amor próprio.
Então, para a gente chegar a ter um parceiro e ter um bom relacionamento, é necessário um autoconhecimento. Como é que eu posso ter um bom relacionamento se eu psicologicamente não estou bem, não me reconheço, A base de uma relação é o autoconhecimento. Quando você está segura do que você quer na vida, isso não é só no namoro, principalmente no campo profissional. Meu conselho é se reconhecer como pessoa, se respeite como mulher, aí sim você vai estar preparada para ter um relacionamento”, concluiu.
Para Lucia neves, o Dia 12 de Junho, é um dia para expressar seus mais lindos sentimentos e fazer seu amor se sentir especial. Mas para se ter um bom relacionamento é preciso cuidar dos seus sentimentos e emoções.
“É um dia onde os enamorados se encontram, trocam presentes, se olham, fazem promessas que até que a morte os separe para vida toda, mas nada é para sempre, nada é permanente.
Tudo nesse planeta está em movimento, então é importante que antes de você se relacionar amorosamente, afetivamente com uma pessoa, é preciso que você se relacione consigo.
Então, antes de namorar uma pessoa, se amem, se respeitem. Porque quem se ama e se respeita, é capaz sim de ter um relacionamento maravilhoso, é capaz de amar o outro e gerar lindas famílias.
E caso terminar um namoro não quer dizer que não deu certo. Deu certo até o dia do termino”, finalizou a psicoterapeuta Lucia Neves.
Texto: Eriana Monteiro