Tuesday, 09 de June de 2026
15/04/2022   14:32h - Meio Ambiente

Ameaçada de despejo, comunidade Guarani e Kaiowá luta por demarcação em Naviraí (MS)

A comunidade Guarani e Kaiowá do tekoha Mboreviry, em Naviraí (MS), está ameaçada por um pedido de reintegração de posse. A ação foi movida por uma empresa do grupo Petrópolis, um dos principais fabricantes de cerveja do Brasil, que tem interesse no local. O espaço é ocupado por 37 famílias indígenas, que vivem numa área de mata na zona urbana da cidade localizada perto da divisa entre Mato Grosso do Sul e Paraná. Os Kaiowá e Guarani reivindicam a demarcação da área como terra de ocupação tradicional indígena. 

 

O local, com o qual as lideranças indígenas relatam que nunca perderam o vínculo e o qual nunca deixaram de frequentar, foi retomado pela comunidade indígena em outubro do ano passado. Pouco depois, em dezembro, a empresa ingressou na justiça estadual com uma reintegração de posse contra a comunidade indígena do Tekoha Mboreviry.

 

O Ministério Público Estadual (MPE), chamado a se manifestar, emitiu um parecer indicando que o caso deveria ser analisado pela justiça federal, por envolver povos indígenas. Em fevereiro deste ano, o processo foi transferido para a instância federal, onde tramita atualmente. Uma decisão judicial determinando o despejo da comunidade pode ser emitida a qualquer momento.

 

 

A comunidade protocolou um pedido para que o juiz suspenda o despejo, com base em decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF). Em março, o ministro Luís Roberto Barroso decidiu estender até junho de 2022 o período de suspensão dos despejos no país, em razão da vulnerabilidade das famílias em meio à crise sanitária causada pela pandemia da Covid-19.

 

 

“Dizem que não existe indígenas aqui em Naviraí. Mas nós existimos. Nós estávamos em vários lugares, em aluguéis, em beiras de córregos. A gente nunca deixou esse território Guarani Kaiowá

 

Terra tradicional

 

Além de buscar evitar o despejo, a comunidade do tekoha Mboreviry luta para que o território seja demarcado como terra indígena, explica o assessor jurídico do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Regional Mato Grosso do Sul Anderson Santos. 

 

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