À frente do Crea-AM, a engenheira de pesca Alzira Miranda foi reconduzida à presidência do Conselho para um novo mandato. Em entrevista ao On Jornal, ela avaliou os resultados do congresso, falou sobre a participação do Crea-AM em discussões estratégicas para o Estado, a necessidade de formar profissionais no próprio Amazonas e os projetos que pretende implementar nos próximos anos.
A presidente do Crea-AM também avaliou as resultados do II CENATEC, a formação profissional no Amazonas, inovação, interiorização e os próximos passos da gestão à frente do Conselho
ALZIRA MIRANDA: Eu considero que o CENATEC cumpriu um papel muito importante para o Amazonas. Nós conseguimos reunir profissionais, estudantes, pesquisadores e pessoas que estão diretamente envolvidas com diferentes áreas da engenharia, da agronomia e das geociências. A nossa expectativa era ampliar o alcance do evento e conseguimos reunir um público ainda maior do que na primeira edição.

Mas acredito que o principal resultado não está apenas no número de participantes. O mais importante é o conhecimento que conseguimos trazer e as discussões que foram realizadas pensando na realidade do nosso Estado. O CENATEC precisa deixar um legado e contribuir para que essas informações sejam transformadas em oportunidades e soluções para o Amazonas.
AM: Esse é um desafio muito grande. Nós temos grandes projetos e novas oportunidades surgindo, mas ainda enfrentamos uma carência de profissionais especializados em determinadas áreas. Muitas vezes, as empresas precisam trazer trabalhadores de outros estados porque não encontram aqui a mão de obra necessária.

Precisamos mudar essa realidade. Temos que formar profissionais dentro do próprio Amazonas e criar condições para que eles permaneçam aqui. Quando falamos, por exemplo, de uma linha de transmissão, não estamos falando apenas de um engenheiro eletricista. Existem profissionais envolvidos com fundações, máquinas, execução e várias outras etapas.
Então, precisamos olhar para toda essa cadeia e entender quais serão os profissionais necessários para os próximos anos. O Crea-AM tem um papel importante nessa aproximação entre estudantes, profissionais, empresas e as novas oportunidades que estão surgindo.
AM: A principal prioridade continua sendo aproximar o Conselho dos profissionais. Queremos que o profissional tenha orgulho de fazer parte do Crea-AM e perceba que o Conselho está trabalhando para abrir oportunidades, oferecer conhecimento e defender a importância da engenharia, da agronomia e das geociências.

Nós já conseguimos avançar em algumas propostas que apresentamos anteriormente e queremos continuar esse trabalho. Um exemplo é o Crea Pro-Link, que está sendo desenvolvido dentro de uma iniciativa de inovação. Também estamos trabalhando com outras ações para aproximar os profissionais e estimular novas ideias.
A recondução demonstra que existe uma expectativa dos profissionais em relação ao trabalho que estamos realizando. Tivemos uma votação expressiva e isso aumenta ainda mais a nossa responsabilidade. Para os próximos três anos, queremos entregar resultados ainda maiores e ampliar aquilo que já conseguimos construir.
OJ: A atuação do Conselho também tem buscado participar de debates sobre políticas públicas. Como o Crea-AM pretende ampliar essa presença?
AM: O Crea precisa estar presente onde as decisões sobre o desenvolvimento do Amazonas estão sendo discutidas. Nós estamos buscando participar dos conselhos e espaços que tratam dessas questões. Um exemplo é o Codam, onde conseguimos uma participação.

Também estamos fortalecendo o diálogo com diferentes órgãos e entidades. Dentro do próprio Conselho temos grupos de trabalho que produzem informações que podem contribuir para discussões na Assembleia Legislativa e nas Câmaras Municipais.
Essa participação é muito importante porque a engenharia precisa estar presente nas decisões que envolvem infraestrutura, saneamento, mobilidade, logística e desenvolvimento. O conhecimento técnico dos nossos profissionais pode contribuir muito para que essas discussões sejam mais qualificadas.
AM: Nós precisamos fazer com que o Crea esteja presente em todo o Amazonas, e não apenas em Manaus. O Estado é muito grande e cada município tem suas próprias necessidades. Por isso, estamos buscando fortalecer a relação com a Associação Amazonense de Municípios e com as prefeituras.
Queremos que as informações produzidas pelo Conselho também possam chegar aos gestores municipais. Temos profissionais espalhados pelo interior e precisamos aproveitar esse conhecimento para contribuir com as demandas dessas regiões.
O próprio CENATEC procurou trazer essa realidade para as discussões. Quando falamos em desenvolvimento do Amazonas, precisamos lembrar que existe uma grande diferença entre as necessidades da capital e as dos municípios do interior. A engenharia precisa estar conectada com essas duas realidades.
AM: Eu quero deixar um Conselho cada vez mais próximo dos profissionais e da sociedade. Quero que o profissional tenha orgulho de dizer que faz parte do Crea-AM e perceba que existe uma instituição trabalhando para abrir oportunidades e contribuir para o desenvolvimento do Estado.
O Crea não pode ficar restrito à sua sede. Ele precisa estar nas universidades, nas empresas, nas prefeituras, nos debates sobre políticas públicas e junto aos profissionais. Precisamos ocupar esses espaços e mostrar a importância da engenharia, da agronomia e das geociências.
Nós já fizemos muito, mas ainda temos muito a fazer. O Amazonas é enorme e os desafios também são grandes. O que queremos é fortalecer cada vez mais essas áreas e fazer com que o conhecimento produzido pelos nossos profissionais seja utilizado para ajudar a construir um futuro melhor para o Estado.
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