quarta, 22 de julho de 2026
15/07/2026   16:00h - Meio Ambiente

Alta densidade de onças na floresta amazônica pode mascarar mudanças críticas na população

Um estudo de 17 anos realizado pelo Instituto Mamirauá na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, revelou uma redução de 77% na densidade de fêmeas de onça-pintada entre 2005 e 2022. Apesar de o número total de indivíduos na região permanecer estável devido ao aumento de machos vindos de áreas externas, os pesquisadores alertam que essa alteração silenciosa na estrutura populacional coloca em risco o futuro e a capacidade reprodutiva da espécie local.

 

Os cientistas apontam que a entrada constante de novos machos gera um aumento no infanticídio (morte de filhotes para forçar o cio das fêmeas), o que reduz drasticamente o nascimento e a permanência de novas fêmeas. Além disso, doenças infecciosas e a caça de machos em áreas vizinhas impulsionam essa dinâmica migratória desequilibrada, camuflando o declínio da reprodução local.

 

A pesquisa, que é o monitoramento mais longo já feito com a espécie no mundo, reforça a importância das florestas de várzea como refúgio essencial para as onças. Diante dos dados, os especialistas destacam a urgência de implementar estratégias focadas na proteção das fêmeas reprodutoras e no fortalecimento da gestão comunitária, especialmente frente ao avanço das mudanças climáticas na Amazônia.

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