quinta, 23 de abril de 2026
19/04/2025   08:00h - Entrevistas

Ali Assi Presidente da Federação de Basquetebol do Amazonas e professor, fala ao ON jornal.com dos seus anseios em tornar o Baquete protagonista no estado

Filho de pais libaneses, que escolheram o Brasil, na busca por melhores oportunidades, o professor Ali Assi, de 47 anos, é amazonense, nascido em Manaus. Graduado Matemática, Contabilidade e tem um longo histórico de atuação na área da Educação como professor e, também, no esporte, onde comanda a Federação de Basketball do Amazonas (Febam).

 

Desde que assumiu a instituição, Ali tem vencido diversos desafios e tentado colocar o basquete amazonense como um esporte cada vez mais protagonista na capital e no estado. O fortalecimento do projeto “Cesta para o Futuro” – uma escolinha gratuita de basquete, que conta hoje com diversos alunos, é uma das marcas de sua gestão à frente da Febam.

 

Ao ON Jornal, ele conta um pouco de sua trajetória e revela o trabalho para alavancar o esporte no Amazonas e atrair cada vez mais investimentos. Confira. 

 

ON Jornal – Como você iniciou sua carreira no esporte? O basquete sempre esteve presente na sua vida?

 

Ali Assi - Bem, tudo começou quando eu tinha 16 anos, quando eu parei de jogar basquete, porque não tinha lá muito futuro, infelizmente. A partir daí, resolvi dar aula de reforço pra meninada do Colégio Dom Bosco, onde eu estudava. Eu fazia o ensino médio lá, era o segundo ano, e eu peguei os alunos do quinto, sexto ano, que era a quinta série na época. Então, eu comecei a dar aula de reforço, e aí eu tive jeito, foi dando certo, foi tendo sucesso, e a partir daí não parei mais de dar aula, tentei outros cursos na faculdade, mas a vocação de professor me perseguia.

 

Eu dei aula muitos anos no Colégio Dom Bosco, cursinho pré-vestibular, e aí num belo momento, em 2007 mais ou menos, o basquete reapareceu na minha vida de uma forma mais intensa. Foi quando eu virei auxiliar técnico das equipes do Colégio Dom Bosco, e aí como matemático que sou, trabalhando com estatística, análise dos dados da equipe, foi muito bom, graças a Deus uma experiência muito boa, deu muito certo, e aí foram abrindo as portas

 

ON Jornal – Como tem sido a sua atuação na presidência da Federação de Basketball do Amazonas (Febam)?

 

Ali Assi -  Após um tempo como auxiliar técnico das equipes do Colégio, eu parei dentro da Federação de Basketball como vice-presidente. Nós trabalhamos muito, muito mesmo para reerguer o basquete. A gente teve um primeiro mandato, e agora eu estou no meu segundo mandato de presidente da Federação. Para mim é um orgulho. Fizemos muitas ações acontecerem e tem muitas outras pra realizar.

 

ON Jornal – Você como professor, como enxerga a carreira profissional aqui no Amazonas?

 

Ali Assi – Então, como professor, eu consegui acompanhar, até mesmo fora do basquete, muitos alunos meus, tentando ser jogador de futebol principalmente, porque até então é a modalidade que dá mais oportunidades, apesar de ser muito difícil, porque a oferta é pequena, mas a demanda é muito grande.

 

Vi muitos atletas, muitos alunos meus, atletas de futebol muito bons, que não conseguiram o espaço. O mesmo acontece com o basquete, no meu caso, que eu não tinha naquela época, além de não ter habilidade, não tinha a oportunidade que você tem hoje, que a gente realmente tem, tem vários atletas nossos jogando fora do estado. Mas hoje, eu consigo me realizar como um dirigente, como um gestor, posso dar minha contribuição para o esporte, aquela contribuição que eu não consegui dar como atleta.

 

ON Jornal  - E sobre a Federação, qual era o cenário da instituição de quando você chegou e agora, durante sua gestão?

 

Ali Assi -  Antes de eu assumi, realmente, a Federação não vivia uma fase muito boa. O basquete era visto como um esporte sem credibilidade, de verdade. Não tinha muita organização, não tinha muita competição, não tinha realmente espaço, e aí quando eu entrei, juntamente com a equipe que me acompanha hoje, foi um desafio muito grande, porque você não tem recursos para trabalhar, e o descrédito né, havia desconfiança das pessoas.

 

Mas mesmo assim, nós fomos trabalhando com paciência, com perseverança, organização, e as pessoas foram entendendo que o esporte estava melhorando. Com isso, comecei a ganhar o apoio das equipes, porque eles estavam vendo realmente que as coisas estavam funcionando, não era ainda do jeito que eles queriam, nem do jeito que poderia ser, mas era do jeito que dava para ser, e estava melhorando.

 

ON Jornal – E agora, após uma reorganização na instituição, o que vem pela frente?

 

Ali Assi – Hoje a gente tem uma federação muito mais organizada, um calendário bem definido, com muitas competições, muitas, a gente já recebe competições regionais de basquete aqui em Manaus, já pelo quarto ano seguido, em agosto a gente recebe a etapa regional do Campeonato Brasileiro da Confederação da CBB, Regional Norte, né, então é uma conquista que há muito tempo não vinha para Manaus, e já vai acontecer pelo quarto ano, então toda essa organização, toda essa credibilidade, e para quem acompanha o basquete, ver o quanto está crescendo, de verdade, tanto que nós temos agora vários atletas jovens.

 

ON Jornal – Como anda o basquete amazonense em relação aos apoios, públicos e privados? Há incentivos?

 

Ali Assi- Sinceramente, se a gente for analisar pelo ponto de vista, de ter um aporte financeiro que possibilitasse algo... não, a gente nunca teve, né.

 

A gente tem apoios pontuais de algumas empresas que nos ajudam. Temos apoio político, por exemplo, o vereador Marcelo Serafim, que sempre nos ajudou bastante, até porque jogou basquete, jogamos juntos, então, ele é muito atento a isso. E a própria prefeitura de Manaus também, dentro do possível, não com recurso diretamente, mas, por exemplo, a prefeitura nos cede o ginásio onde acontecem nossas competições, o que é excepcional, é um apoio que realmente faz com que o nosso basquete cresça, é um dos pontos de crescimento.

 

Esse apoio que a prefeitura nos dá, nos cedendo o ginásio lá do Dom Pedro, né, isso aí é um apoio que a gente não tem como dizer que não agregou muito, e muito mesmo.

 

Mas, de fato, assim, a grande alavanca é o próprio pessoal do basquete, as próprias equipes que arcam com as despesas, a gente que consegue.

 

ON Jornal – Na sua visão, o que falta para o esporte se tornar mais protagonista no Amazonas? Quais são os entraves?

 

Ali Assi - Então, assim, falta esse apoio maior do poder público, né? E não digo... “Ah, querem dinheiro”. Não é dinheiro, não. Se você espalha pela cidade várias quadras em condição de serem utilizadas.

 

“Ah, mas a população depreda, né?” Chama a população para tomar conta, para cuidar do espaço, porque funciona. E aí você começa a massificar. Se você passa depois das seis ali pelo CSU do Parque 10, a quadra de basquete está lotada, a quadra de vôlei está lotada. Tem público, mas não tem espaço. Daí até eu faço um apelo ao nosso prefeito.

 

Tem que investir. Para você ter uma ideia, só para não me estender tanto, lá no próprio Dom Pedro, com o apoio da Prefeitura, a gente tem uma escolinha gratuita de segunda a quinta. É o projeto Escolinha Cesta para o Futuro. Dia de segunda e quarta, aí fica o convite de verdade.

 

Segunda e quarta, das 18h às 19h20. Assim, matriculados, são mais de 60 alunos.

 

Porém, frequentadores, que é uma rotatividade cerca de 40, 45 alunos, dos 7 aos 13 anos de idade. Você vai ver garotos com 7, 8 anos, com domínio de bola sensacional. Garotas, meninas, que é o que falta no nosso esporte, que é a maioria na nossa escolinha, com domínio de bola, que é impressionante. 

  

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