A Deputada Estadual, Alessandra Campêlo é uma das figuras mais atuantes da política amazonense, com uma trajetória marcada pela defesa dos direitos humanos e da justiça social. Formada em Jornalismo e com experiência na administração pública, ela consolidou sua base política no movimento estudantil e em passagens por secretarias estratégicas, como a de Assistência Social. Atualmente em seu terceiro mandato consecutivo na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), a parlamentar é reconhecida por sua voz firme na tribuna e pela capacidade de articulação entre os diferentes poderes.
Sua principal bandeira e marca registrada é a defesa intransigente da mulher. Como idealizadora e presidente da Procuradoria Especial da Mulher, Alessandra liderou a implementação de leis rigorosas contra o feminicídio e a violência doméstica, além de incentivar o empreendedorismo feminino no estado. Entre suas conquistas de maior destaque estão a expansão das Delegacias Especializadas em Crimes contra a Mulher (DECCMs) e a criação de programas que garantem dignidade e proteção a vítimas de abusos em todo o Amazonas.
O ON Jornal conversou com exclusividade com a Deputada, que falou sobre as principais conquistas do mandato e os desafios que seu trabalho enfrentará na defesa dos direitos humanos em 2026. Confira.
ON Jornal - Deputada, fazendo um balanço de 2025, quais foram as principais conquistas do seu mandato que a senhora considera como as mais impactantes para a população amazonense e quais indicadores consolidam esse sucesso?
Alessandra Campêlo - Acredito que 2025 foi um ano de muito trabalho e resultados concretos. Eu sempre digo que mandato precisa ter propósito e entrega. Na pauta da mulher, consolidamos a atuação da Procuradoria Especial da Mulher como referência na rede de proteção, ampliando atendimentos, fortalecendo parcerias com a Defensoria Pública e acompanhando casos do início ao fim, garantindo que nenhuma mulher ficasse sem orientação jurídica e apoio psicossocial.
Também avançamos na conscientização e enfrentamento à violência vicária, pauta que transformei em lei no Amazonas, e seguimos fiscalizando a aplicação de medidas protetivas e o monitoramento de agressores.
Na área da assistência social, continuamos acompanhando e fortalecendo programas estruturantes como o Auxílio Estadual Permanente, que ajudei a criar junto com o governador Wilson Lima na minha passagem pela Seas e que beneficia 300 mil pessoas e injeta R$ 540 milhões por ano na economia do nosso estado. Isso não é apenas política social, é combate à fome, é dignidade, é geração de renda. Além disso, temos outros em plena execução programas de largo alcance social, como o Prato Cheio, o Crédito Rosa e o Dignidade Menstrual.
Os indicadores que consolidam esse trabalho no Legislativo são claros: ampliação da rede de proteção, crescimento do número de mulheres que buscam ajuda na Procuradoria da Mulher - o que mostra confiança no trabalho que realizamos na Assembleia Legislativa - e a manutenção de programas sociais que seguem transformando vidas nos 62 municípios.
ON Jornal - Infelizmente, o Amazonas ainda enfrenta números desafiadores de feminicídio. Como a senhora avalia os casos ocorridos no último ano e de que forma a rede de proteção pode ser aprimorada para evitar que essas tragédias cheguem ao desfecho fatal?
Alessandra Campêlo - Infelizmente, os números ainda nos desafiam. Cada caso de feminicídio é uma vida interrompida e uma família destruída. Eu não trato esses dados como estatística fria. São mulheres que pediram socorro - muitas vezes mais de uma vez.
O que precisamos é fortalecer a prevenção. Medida protetiva não pode ser apenas papel. O monitoramento eletrônico de agressores, que defendemos e regulamentamos no estado, precisa funcionar de forma rigorosa. A integração entre Polícia Militar, Polícia Civil, Judiciário e rede socioassistencial precisa ser cada vez mais rápida.
Também é fundamental investir em educação preventiva, campanhas permanentes e autonomia econômica das mulheres. Uma mulher com independência financeira tem mais condições de romper ciclos de violência.
A rede de proteção avançou, mas precisa ser fortalecida no interior, com mais delegacias especializadas, casas de acolhimento e equipes multidisciplinares. Combater o feminicídio é uma responsabilidade coletiva e institucional.
ON Jornal – Quais são os eixos prioritários do seu trabalho parlamentar para este ano de 2026? Existe algum projeto de lei ou ação estruturante que a senhora pretenda tirar do papel ainda neste primeiro semestre?
Alessandra Campêlo - Em 2026, meus eixos continuam muito claros: defesa da mulher, assistência social, fortalecimento dos municípios e políticas públicas que gerem autonomia e oportunidades reais para a população.
Na pauta da mulher, quero avançar na consolidação das políticas de enfrentamento à violência, especialmente no combate à violência vicária, ampliar ações educativas nas escolas e fortalecer os mecanismos de proteção preventiva. Também estamos trabalhando para aprimorar a fiscalização das medidas protetivas e ampliar o debate sobre responsabilização efetiva de agressores. Prevenção e proteção precisam caminhar juntas.
Na assistência social, a prioridade é garantir que os programas estruturantes continuem fortes e ampliem seu alcance, especialmente para famílias chefiadas por mulheres. Tenho defendido o fortalecimento do empreendedorismo feminino por meio de políticas de crédito, capacitação e incentivo à autonomia econômica.
ON Jornal – A senhora também tem atuado na promoção do esporte no estado, sobretudo, no apoio da inclusão das mulheres no esporte. Como esse trabalho acontece?
Alessandra Campêlo - Outro eixo fundamental em 2026 é o apoio direto aos municípios por meio da execução das minhas emendas impositivas. Tenho destinado recursos para as áreas de saúde, educação e segurança pública, além de apoiar instituições que desenvolvem trabalhos sociais com crianças, adolescentes, mulheres e pessoas idosas. O mandato precisa estar presente onde as pessoas vivem, e isso significa garantir estrutura e investimento nas cidades do interior e na capital.
Também tenho uma ligação muito forte com o esporte, especialmente com projetos sociais em diversas modalidades, como o jiu-jítsu, que é uma referência no nosso estado. O esporte é uma ferramenta poderosa de transformação social. Ele promove disciplina, cidadania, autoestima e cria oportunidades para crianças e jovens que poderiam estar expostos à criminalidade e ao uso de drogas. Investir no esporte é investir em prevenção, inclusão e futuro.
O meu foco para 2026 é esse: transformar políticas públicas em instrumentos permanentes de dignidade, proteção e desenvolvimento para o povo do Amazonas.
ON Jornal – Em um estado com dimensões continentais como o nosso, como levar as políticas de defesa da mulher e assistência social de forma efetiva para o interior, reduzindo a disparidade de atendimento em relação à capital?
Alessandra Campêlo - Esse é um dos maiores desafios do nosso estado. O Amazonas tem dimensões continentais e realidades muito diferentes. Não podemos aceitar que a proteção dependa do CEP da mulher. Levei esse debate da mulher ribeirinha, da mulher amazônica, das especificidades e da dimensão do nosso estado ao Encontro de Mulheres na ONU, no ano passado. Nossas dificuldades de acesso a direitos básicos são maiores e isso precisa ser discutido.
Para levar políticas ao interior, precisamos de três coisas: estrutura, parceria e presença. Estrutura significa equipes capacitadas e recursos. Parceria significa integração com prefeituras, Ministério Público, Defensoria e forças de segurança. Presença significa atuação itinerante, capacitação constante e acompanhamento direto.
Na assistência social, programas como o Auxílio Estadual e o Prato Cheio mostraram que é possível chegar aos 62 municípios. Na pauta da mulher, precisamos seguir o mesmo caminho: interiorizar a rede, fortalecer canais de denúncia e garantir que nenhuma mulher esteja isolada.
Eu tenho um compromisso muito claro: a mulher do interior tem o mesmo direito à proteção que a mulher da capital.
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