Um levantamento baseado em dados do Ministério do Trabalho revela que o Brasil registra, em média, mais de seis mortes de trabalhadores por mês em silos de armazenamento de grãos. O aumento da letalidade, que subiu 12% nos últimos dois anos, acompanha os recordes de safra no agronegócio, evidenciando uma falha crítica na segurança do setor em estados como Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul.
As principais causas das fatalidades são o soterramento, conhecido como engolfamento, e a asfixia por gases tóxicos liberados pela fermentação dos cereais. Especialistas apontam que a pressão das toneladas de grãos e a falta de oxigênio em espaços confinados tornam os resgates extremamente difíceis, transformando estruturas de armazenamento em armadilhas mortais para operários sem proteção adequada.
A maioria desses acidentes é considerada evitável mediante o cumprimento rigoroso de normas técnicas, como a NR-33, que exige monitoramento de gases e uso de cintos de segurança. No entanto, a negligência com treinamentos e a fiscalização escassa nas imensas propriedades rurais permitem que a busca por agilidade na operação das safras continue custando vidas no interior do país.
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