Tuesday, 09 de June de 2026
30/04/2022   09:00h - Meio Ambiente

Açaí gera renda e protege a floresta

Na viagem de barco de 160 km de Macapá, capital do Amapá, até o Arquipélago do Bailique, uma espécie se destaca na mata ciliar: o açaí-de-touceira. Essas árvores representam, a um só tempo, um símbolo da rica biodiversidade da foz do rio Amazonas e uma atividade econômica que, com a floresta em pé, sustenta a vida de milhares de famílias da região.

 

O extrativismo de açaí no Bailique constrói um novo capítulo. Produtores locais uniram-se para criar uma cooperativa e adequaram suas técnicas tradicionais para obter a primeira – e até agora única – certificação de manejo florestal e cadeia de custódia de açaí do Forest Stewardship Council (FSC).  Em dezembro passado, os 128 extrativistas deram mais um passo importante na valorização do fruto, com a inauguração de uma agroindústria onde o açaí já está sendo beneficiado em polpas.

 

As açaizeiras de troncos finos podem alcançar 25 metros de altura. Em matas nativas é possível encontrar até 12 touceiras (como as árvores são chamadas) em um único local. Uma touceira fica em torno de 5 metros de distância da outra nas áreas manejadas, intercaladas por espécies típicas da região de várzea, como árvores de andiroba, pracaxi e taperebá. Assim, os produtores diminuem a competição por nutrientes entre as açaizeiras, que passam a produzir frutos de melhor qualidade, um cacho de açaí maior e mais maduro, ao mesmo tempo em que preservam a flora nativa que sustenta a fauna local.

 

A preocupação com a biodiversidade resulta na conservação de árvores onde abelhas instalam suas colmeias, como andirobeira e pau-mulato, e pássaros fazem seus ninhos, a exemplo dos taperebazeiros e pracaxizeiros. Esse cenário, que, claro, não é visto em monoculturas de açaí, evidenciou aos produtores os benefícios de manter o ecossistema em equilíbrio na foz do Amazonas. 

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