quinta, 23 de abril de 2026
19/06/2021   07:50h - Entrevistas

A Especialista Dra. Suênia Araújo fala da importância do Teste do Pezinho e alerta para a doença pouco conhecida

 A doença falciforme (DF) é a doença genética e hereditária mais predominante no Brasil e no mundo. Caracteriza-se pela alteração dos glóbulos vermelhos do sangue (hemácias). Estas células são arredondadas, e nas pessoas com DF, em condições adversas (frio, desidratação, estresse etc.), assumem um formato de foice, o que dificulta a circulação e a chegada do oxigênio aos tecidos.

 

Dia 19 de junho foi a data escolhida pelas Nações Unidas como o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme. O objetivo é dar visibilidade e reduzir as taxas de morbidade e mortalidade da doença, principalmente entre crianças e adolescentes. Estima-se que no Brasil existam cerca de 60 mil pessoas com DF.

 

Ao ON Jornal, a médica hematologista pediatra e gerente médica do Hemoam, Dra. Suênia Araújo, fala da importância do teste do pezinho, que pode identificar precocemente a doença e esclarece dúvidas. Confira.

 

ON Jornal- Quais são os sintomas? Quando deve-se perceber os alertas?

Dra. Suênia Araújo– Bom, os sintomas são inespecíficos. São várias as intercorrências. Mas a princípio, são inchaços no corpo, em várias partes do corpo. A dor é a crise que a anemia Falciforme mais causa, que é a chamada Crise Vaso-oclusiva.

Isso ocorre por que a hemácia do corpo no paciente com anemia falciforme não é comum, arredondada, ela tem o formato de foice. Com isso, ela não passa corretamente pelos vasos sanguíneos tranquilamente. Quando a hemácia de foice passa, ela se empilha uma na outra fazendo com que o paciente tenha muita dor no corpo.

Pessoas com essas características dever ficar alertas e procurar um especialista.

 

ON Jornal- Qual a importância do teste do pezinho na descoberta de doenças sanguíneas?

Dra. Suênia Araújo– O teste do pezinho é importante, hoje em dia, temos esse método que avalia as hemoglobinopatias. Isso faz com que consigamos identificar antes e prevenir os problemas possíveis.

Quando o teste identifica alguma irregularidade na criança, ela já é direcionada a nós, para darmos seguimento ao acompanhamento.

O teste do pezinho é algo maravilhoso. É importante e indispensável pra identificar problemas sanguíneos.

 

ON Jornal- Como se dá o tratamento para DF? A pessoa consegue conviver com ela normalmente, apesar das dificuldades?

Dra. Suênia Araújo– A doença não tem tratamento especifico. Ela é crônica. O paciente vai conviver com ela a vida toda. Nós temos hoje, medicações para tratar as crises que o paciente venha a ter. E usamos medicamentos profiláticos. É um conjunto de medicações. Infelizmente, ainda a anemia falciforme não tem cura.

Mas o paciente pode sim ter uma vida normal. Se ele seguir as medidas de cuidados, indos ao médico, ao ambulatório, ele vai ter uma qualidade de vida boa e longeva.

 

ON Jornal- O que desencadear para o paciente desenvolver as crises de dores no corpo?

Dra. Suênia Araújo– É bom evitar determinadas situações, como por exemplo: o frio e água gelada. Algo muito comum na nossa região é a água de cachoeira né, isso deve ser evitado, por que a água com velocidade, ao tocar o corpo, pode ocasionar crises de falciforme.

A dor, é uma dor óssea. Ela é muito intensa. Normalmente afeta membros superiores, braços, costas, e até outras também, como pernas. Em tudo onde tiver osso dói.

O estresse também pode gerar reações dolorosas.   Então, tudo isso o paciente deve ficar atento.

 

ON Jornal- Qual o trabalho que o Hemoam realiza no tratamento da doença?

Dra. Suênia Araújo– Nós realizamos um tratamento de 3 meses desses pacientes. Pessoas que moram no interior do Amazonas, nós os assistimos por 6 meses mais ou menos. São pacientes instáveis na doença. Nós damos orientações, medicamentos para que a pessoas tenha uma vida normal.

É mais um acompanhamento ambulatorial.

 

ON Jornal- Qual alerta que você deixa para pessoas que recém descobriram a doença?

Dra. Suênia Araújo– Então, a falciforme é uma doença crônica. Mas como eu disse, ele viverá uma vida normal se seguir com acompanhamento médico.

Se tomar os remédios direitinho. Sem problema nenhum ela pode desenvolver suas atividades.

 

 

 

 

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