Nas entranhas da província de Guangdong, no sul da China, a 700 metros de profundidade, uma esfera de aço de 35 metros de diâmetro reluz com um segredo ancestral. O Observatório Subterrâneo de Neutrinos de Jiangmen (JUNO) o maior e mais sensível detector de neutrinos do mundo dedicado a antineutrinos de reator acaba de divulgar suas primeiras grandes descobertas, catapultando a humanidade para mais perto do coração invisível da matéria.
Instalado sob uma montanha para filtrar a interferência dos raios cósmicos, o JUNO entrou em operação plena em agosto de 2025. Seu alvo são os neutrinos, as partículas elementares mais esquivas do universo: criadas nos estertores do Big Bang há 13,8 bilhões de anos, elas cruzam cada centímetro quadrado do nosso corpo e de tudo o que existe em números que desafiam a imaginação, cerca de 100 trilhões por segundo, sem jamais dar sinal de sua passagem.
Os neutrinos, partículas sem carga elétrica e com massa quase nula, interagem tão raramente com a matéria comum que são apelidados de ‘partículas fantasma’. Essa natureza elusiva os torna ferramentas inestimáveis para investigar as leis mais profundas da física e desvendar os mistérios do cosmos.
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