A Pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres 2026 revelou que 71% das brasileiras já sofreram assédio em algum momento da vida. Os locais de maior incidência são as ruas e espaços públicos (56%) e o transporte coletivo (51%), evidenciando a insegurança feminina na mobilidade urbana. O estudo, que ouviu 3.500 pessoas em dez capitais, aponta que o assédio também é alarmante no ambiente de trabalho (38%) e no contexto familiar (28%).
Um dado relevante da pesquisa é o descompasso de percepção entre gerações e gêneros. Enquanto mulheres mais velhas relatam maior volume de casos por terem vivido mais tempo em contextos de machismo naturalizado, a percepção sobre a divisão de tarefas domésticas também expõe a desigualdade: 51% dos homens acreditam que dividem as tarefas igualmente, mas apenas 29% das mulheres concordam com essa afirmação, revelando uma invisibilidade masculina sobre a sobrecarga de trabalho das companheiras.
Como solução, a maioria das entrevistadas (59%) defende o aumento das penas para agressores e a ampliação de serviços de proteção especializados em todas as regiões das cidades. Os resultados reforçam que o combate à violência contra a mulher passa tanto por mudanças na legislação e segurança pública quanto por uma transformação cultural profunda que equalize as responsabilidades cotidianas dentro de casa.
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