quinta, 23 de abril de 2026
01/05/2022   17:30h - Especial

28 ANOS depois o Brasil ainda chora a morte de Airton Senna, eterno campeão do Brasil e do Mundo

1° de maio dia do trabalhador, também lembra aquele ano de 1994 quando Airton Senna aos 34 anos fez sua passagem para outro plano espiritual de forma brusca e inesperada para quem torcia com a esperança de mais uma linda vitória do icônico, fenômeno corredor brasileiro de Formula1.

 

Todo mundo perguntou naquele dia sombrio de primeiro de maio de 1994, você sabe o que aconteceu? ”, Airton morreu!!

 

Por se tratar da morte do ídolo máximo, Ayrton Senna, as lágrimas eram o único conforto naquele momento de perda do mundialmente querido campeão.

 

Galvão Bueno narra o desespero dos brasileiro e fãs de todo mundo ao ver a demora do socorro, "Senna bateu forte. Ele vinha em primeiro, escapou e bateu muito forte, ali na Tamburello. Demora para chegar o socorro. Demora absurda para chegar o socorro. Senna está dentro do carro. Mexe a cabeça, Ayrton Senna. Parece ter a consciência. E não chega absolutamente ninguém. Eu não sei onde as coisas vão parar na Fórmula 1. Essa pista, e tudo o que aconteceu aqui nesse dia. É difícil falar", assim narrou Galvão Bueno, com ar premonitório e fúnebre, o instante e os minutos seguintes à batida de Ayrton Senna da Silva, a mais de 210 quilômetros por hora na curva Tamburello, no circuito de Ímola, na Itália.

 

Senna não é idolatrado apenas pelos feitos esportivos. Ele era um alento para um povo sofrido, um herói nacional que elevava a autoestima de um país repleto de problemas. Senna foi um símbolo de perseverança e luta. No automobilismo, carregou a fama de perfeccionista e a reputação de implacável quando sentado no cockpit. Ele explorava seus limites mais do que qualquer outro piloto. Era obcecado em vencer, chegando às vezes a agir sem escrúpulos – como na primeira curva no GP de Suzuka de 1990, quando, segundo colegas de Fórmula 1, deliberadamente causou o acidente com Alain Prost para sagrar-se bicampeão mundial.

 

E, quando chovia, o Brasil acordava com um sorriso aberto. Senna era um gênio nas pistas molhadas. Memorável como ele pulou de quinto colocado para a liderança na primeira volta da corrida de Donnington, em 1993, conhecida como "a corrida da volta perfeita". "Se você quer saber como foi Ayrton Senna como piloto de corridas, esses 40 segundos definem tudo", conta Martin Brundle, piloto inglês que competiu com Senna por 11 anos.

 

Contudo, antes da data fatal, o herói do Brasil teve uma vida marcada por grandes momentos.

 

O menino tímido e magro

 

A primeira dificuldade que aquele brasileiro de 20 anos, magrinho e aparentemente tímido, encontrou quando chegou na Inglaterra em 1980 foi ensinar seu nome. Jamais alguém chamado Ayrton tinha aparecido em Snetterton, onde se localizava a Van Diemen, a fábrica de protótipos da Fórmula Ford pela qual ele pretendia competir. E como "Ayrton" era impronunciável em inglês, as pessoas o chamavam de "Harrinton da Silva".

 

Foi Chico Serra, ex-campeão da Fórmula Ford, que apresentou Ayrton a Ralph Firman, dono da Van Diemen. E disse tantas maravilhas sobre ele que Firman, mesmo antes de conhecer o novo talento, já o chamava de quick man (homem rápido, em inglês).

 

Béco, como era conhecido desde pequeno, apaixonou-se pela velocidade muito criança. Uma vocação que animou o pai, seu Milton, a fabricar ele mesmo o primeiro kart do filho: um carrinho impulsionado por um motor de cortador de grama. 

O menino pintou nele os números 007 e transformou-o em seu brinquedo predileto. Nos longos serões na improvisada oficina da casa da Serra da Cantareira, em São Paulo, onde morava, Béco se esquecia da vida e só tirava as mãos da graxa altas horas da noite e sob protestos.

 

Ayrton era um predestinado. Tinha 8 anos quando participou de sua primeira corrida. Numa prova na qual a ordem de saída era definida por sorteio, tirou o papelzinho número 1, que lhe deu o direito de largar na pole position. Em competições oficiais, estreou aos 13 anos, num domingo em julho de 1973, em Interlagos. E venceu.

 

Campeão moral

 

Depois de ganhar vários títulos de campeão brasileiro e sul-americano, Ayrton participou dos mundiais de kart em 1978, em Le Mans, na França, e em 1979, em Estoril, Portugal. Em ambos esteve bem perto do título. Em Le Mans, bateu na bateria final e teve de contentar-se com o prêmio de piloto revelação.

 

Em Portugal, Ayrton chegou na última bateria sentindo cheiro do título. Venceu, fez toda a festa, mas não ficou com a taça. O holandês Peter Koene foi declarado campeão pelo critério desempate. Ayrton saiu festejado como campeão moral, mas decepcionado. No ano seguinte, decidiu morar na Europa.

 

Em novembro de 1980, Ayrton deu dez voltas num F-Ford. O patrão Ralph Firman gostou do que viu e o contratou para correr o campeonato inglês e o europeu. Senna estreou no dia 1° de março, em Brands Hatch, na Inglaterra, com um quinto lugar, mas o estilo técnico e guerreiro, que lhe rendeu três poles position e três vitórias, nas corridas seguintes, logo o transformou em favorito ao título.

 

Em julho, a imprensa especializada o elegeu o melhor piloto de sua geração. O elogio era óbvio, afinal, ele tinha enfileirado meia dúzia de vitórias e êxitos incríveis, como ganhar uma prova no sábado à tarde pelo torneio europeu e, na manhã seguinte, outra pelo certame inglês. Ayrton ganhou a F-Ford inglesa numa corrida disputada em agosto. Com mais três vitórias seguidas, Ayrton Silva - que ainda não assinava Senna - ganhou também o europeu, depois de 13 vitórias e cincos segundos lugares em 18 provas.

 

No ano seguinte, retornou a Inglaterra para disputar os campeonatos inglês e europeu de Fórmula 2000, novamente pela Van Diemen. Estreou com vitória e, na prova seguinte, fez a pole position e bateu o recorde do circuito. O ano foi uma rotina vitoriosa, para desespero das demais equipes e dos pilotos. Até a sexta corrida, em Silverstone, Senna marcou seis pole position, bateu seis recordes de voltas e venceu todas as provas. "Harrinton" despediu-se da Van Diemen com dois títulos de campeão.

 

Na Fórmula 3, em 1983, Ayrton estreou com um Ralt, na equipe Dick Bennetts. E venceu. Seguiu batendo recordes, principalmente em Silverstone, e ganhou da revista Autosport, o apelido de "DaSilvastone", embora tivesse pintado o nome Senna em seu coockpit.

 

Recordes

 

Foram oito triunfos seguidos, quebrou o recorde de sete vitórias consecutivas que por 20 anos pertenceu ao lendário Jackie Stewart, e, quando chegou à nona vitória, havia liderado 187 voltas do total de 189 percorridas até ali. Mas em seguida entrou numa fase de quebras e acidentes e foi para a última corrida precisando chegar à frente de Martin Brundle para ser campeão. Era hora de arriscar tudo.

 

Foi Dick Bennetts quem sugeriu que Senna partisse com um adesivo tapando a entrada de ar do radiador de óleo que, dessa forma, aceleraria a temperatura ideal e o motor funcionaria a pleno, já nas voltas iniciais. Bennetts alertou que assim que a temperatura atingisse o nível desejado, o adesivo teria de ser removido, senão o motor explodiria. Ayrton topou, afinal, aquela era a corrida mais importante da temporada e, até ali, da sua vida.

 

Fora das pistas, o piloto costumava ler a Bíblia durante os voos entre Brasil e Europa. Além disso, Senna sempre demonstrou publicamente sua preocupação com a pobreza no Brasil, principalmente com as crianças e a carência de oportunidades. Ele criou o Instituto Ayrton Senna, dedicado à educação e hoje administrado por sua irmã Viviane Senna.

 

Ídolo e reconhecimento

 

Senna correu dez anos na Fórmula 1 e conquistou três títulos mundiais – 1988, 90 e 91. No período, disputou 161 corridas, chegando ao pódio em 80 delas, 41 vezes em primeiro lugar. Foram 65 poles positions, e ele ostenta o recorde de seis vitórias no lendário circuito de Mônaco.

 

Veja o que personalidades do mundo da Fórmula 1 disseram sobre Senna  

Lewis Hamilton:
"Eu tinha 9 anos e estava correndo naquele fim de semana. Meu pai estava trabalhando no carro e me lembro dele contando. Fui até o outro lado do carro e chorei copiosamente. As décadas de 80 e 90 foram os grandiosos anos da Fórmula 1. E Senna estava no topo."

 

Juan Manuel Fangio:
"A Senna pouco importava se a pista estava molhada. O intuito dele era voar e em segundos violar todas as leis da física."

 

John Watson:
"Nunca tinha visto alguém pilotar daquele jeito. Em plena curva, Ayrton estava freando, reduzindo a marcha, girando o volante, acelerando e mantendo a pressão do turbo."

 

Michael Schumacher:
"Se você me perguntar, eu colocaria Senna como o número um. Se Senna não tivesse morrido, eu não teria conquistado os títulos de 1994 e 1995 porque ele era melhor ."

 

Fernando Alonso,: 
"Eu colocaria Senna como o número um."

 

David Coulthard, companheiro de equipe de Senna em 1994: 
"Para mim, Ayrton Senna, sem dúvidas, é o número um."

 

Mika Häkkinen: 
"Ele foi com certeza o maior piloto de todos os tempos. Ele foi tão bom porque trabalhou duro até nos detalhes. Ele foi fantástico."

 

Damon Hill: 
"Não tenho dúvidas de que nunca teria sido campeão do mundo se Ayrton não tivesse morrido em Ímola."

 

Enzo Ferrari, fundador da escuderia italiana: 
"Eu me recordo de uma volta de Senna em Mônaco que valeu uma placa, a volta mais perfeita que um piloto já fez."

 

Alain Prost: 
"Senna era muito mais rápido que você conduzindo o mesmo carro e tão rápido quanto com um carro inferior."

 

Ron Dennis, ex-chefe da McLaren: 
"O melhor piloto com quem já trabalhei foi Ayrton, e isso não apenas por sua performance na pista, mas por sua amizade e clareza."

 

Bernie Ecclestone, ex-chefão da Fórmula 1: 
"Ayrton teria feito coisas ainda melhores que as que Schumacher conquistou se não tivesse morrido em Ímola. Acho que Michael é super, mas se eles estivessem com o mesmo carro, eu apostaria meu dinheiro em Ayrton."

 

Martin Brundle, competiu 11 anos com Ayrton Senna: 
"Ele tinha um talento divino que não vi em nenhum outro piloto. Um sexto sentido para saber onde estava a aderência da pista. Ele claramente era um ser humano fantástico, que se importava com as pessoas no Brasil e se importava com os pilotos." 

Era o primeiro ano de Ayrton Senna na Williams, e ele ainda não havia pontuado naquela temporada. Porém, pela terceira vez no ano, o piloto brasileiro marcou a pole position e vinha liderando a prova, quando, na sétima volta, o carro inexplicavelmente passou reto na curva e se chocou com a mureta. O atendimento na pista ao tricampeão mundial durou quase 20 minutos. Foram angustiantes as horas até uma das notícias mais dolorosas que o esporte brasileiro já recebeu: às 13h40, sua morte foi anunciada.

 

Aquele foi o fim de semana mais sombrio da história da Fórmula 1. Na sexta-feira, durante um treino, Rubens Barrichello colidiu com a mais de 300 quilômetros por hora e passou pelo mesmo hospital para onde Senna foi levado. No sábado, o austríaco Roland Ratzenberger perdeu a vida durante o treino classificatório. Na corrida de domingo, além do acidente de Senna, a batida envolvendo J.J. Letho e Pedro Lamy causou ferimentos graves a quatro espectadores. E, em um pit stop desastroso da Ferrari, dois mecânicos foram parar no hospital. 

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