O dia 25 de julho, Dia Nacional do Escritor, foi o dia escolhido pelo ex-ministro da Educação e Cultura Pedro Paulo Penido, em 1960, para homenagear escritoras e escritores brasileiros. A escolha dessa data deve-se à realização do 1º Festival do Escritor Brasileiro, patrocinado pela União Brasileira de Escritores (UBE), que ocorreu em 25 de julho de 1960. A partir desse ano a data é comemorado em todo o país, com a organização de eventos que buscam valorizar autores e autoras da literatura brasileira e incentivar a leitura de suas obras. Entre os grandes nomes da literatura brasileira, destacam-se Machado de Assis, Clarice Lispector e Jorge Amado.
A Associação dos Escritores do Amazonas (ASSEAM), fundada no ano de 1995 no Estado do Amazonas, é uma entidade que reconhece grandes talentos da literatura amazonense. Alguns nomes da literatura se destacam pelo seu talento como escritores, estes são, Marcos Frederico Krüger, José Almerindo da Rosa, Zemaria Pinto, Dori Carvalho, Jorge Bandeira, Allison Leão, Aldísio Filgueiras, Carlos Guedelha, Thiago Roney e Cacio Ferreira. Neiza Teixeira, Lourdes Louro, e Suzy Freitas são algumas das mulheres que se destacam como escritoras amazonenses. Pensando nessa data e nessa dedicação e em contar histórias através da escrita, o On Jornal entrevistou Rebeca Beatriz Santos, mulher e escritora amazonense, que contou sobre sua trajetória e os desafios que enfrenta como escritora no Amazonas.
Nascida na cidade de Manaus, Rebeca Beatriz dos Santos Santos, tem 31 anos, é formada em Jornalismo, pelo Centro Universitário do Norte – UNINORTE e em Ciência Sociais pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), é escritora, membro da Associação de Mulheres Escritoras e Jornalistas do Brasil (AJEB) e da Associação dos Escritores do Amazonas (ASSEAM) e colunista nos sites nacionais Obviois e Beco do Poeta. Começou a escrever na adolescência, motivadas inconformidade com os finais das histórias nos livros que lia. Ela queria finais diferentes, mas seu talento só se tornou público quando as redes sociais ganharam força.
A escritora lançou em 2019, durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro pela editora Callenda, sua primeira obra “Devaneio: Amores vividos, histórias inventadas”, que vendeu centenas de exemplares e é um diálogo sobre vontades, pensamentos, anseios e ilusões que o ser humano está sujeito a viver.
Ela acredita na valorização e reconhecimento dos escritores amazonenses, algo que precisa ser constante. Segundo ela, muito já é feito por parte da mídia e do Poder a Público, como a realização de projetos culturais, editais e divulgação. Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido.
ON Jornal – Sobre sua trajetória, como surgiu esse desejo de se tornar escritora? O que a inspirou a seguir esse caminho?
Rebeca Santos - Comecei a escrever na adolescência, motivada pelos finais que via nos livros e não me conformava. Eu queria finais diferentes, então resolvi escrever. Mas isso só se tornou público quando as redes sociais começaram a ganhar força.
ON Jornal – Quais são os principais desafios que você enfrenta ao publicar e promover seus trabalhos no Amazonas?
Rebeca Santos - Os principais desafios de ser escritora são em relação a fazer com que as pessoas tenham interesse em ler livros, quando hoje em dia, a informação chega muito rápido, em poucas linhas, graças à facilidade das redes sociais.
ON Jornal – Como funciona o seu processo criativo? Como você desenvolve suas ideias e personagens?
Rebeca Santos - Escrever, para mim, é um processo muito solitário, mas varia muito de lugar para lugar. Às vezes, gosto de sentar em uma cafeteria e escrever. Outras, gosto de estar no silêncio do meu quarto e escrever durante a madrugada.
ON Jornal - Quais são os temas recorrentes em suas obras e por que eles são importantes para você?
Rebeca Santos - O amor, tema do livro ‘Devaneio: amores vividos, histórias inventadas’. E tudo o que envolve o amor: experiências, vivências, sentimentos. Esse assunto é clichê, mas, ao mesmo tempo, muito recorrente.
ON Jornal - Você já participou de algum projeto literário ou cultural específico do Amazonas? Como foi essa experiência?
Rebeca Santos - Atualmente, participo do projeto cultural Paulo Gustavo, que fomenta o desenvolvimento de profissionais da cultura e da arte, entre eles, a literatura, no Amazonas. Nesse contexto, estou transcrevendo a versão do livro ‘Devaneio: amores vividos, histórias inventadas’ para braille, sistema de leitura para a pessoa com deficiência visual.
ON Jornal - Como você vê o cenário literário no Amazonas atualmente? Há algum movimento ou tendência que você gostaria de destacar?
Rebeca Santos - No Amazonas, a cena literária tem se destacado graças à democratização da internet. Muitos autores e autoras, assim como eu, têm aproveitado as redes sociais para divulgar seus trabalhos. O que ajuda bastante são as ‘trends’, ou seja, as correntes que geralmente trazem algo que o público se familiariza e logo isso se torna viral.
ON Jornal - Quais são os seus autores e livros favoritos? Algum autor amazonense a influenciou particularmente?
Rebeca Santos - Meus autores favoritos em nível nacional e também inspiradores são: Fred Elboni, Isabela Freitas, Martha Medeiros, Tati Bernardi e Igor Pires. Já em nível Amazonas, posso destacar o grande poeta Thiago de Mello, Márcio Souza, Myriam Scotti e Silvia Grijó como culpados pelo meu desejo escrever.
ON Jornal - Quais são os projetos mais recentes ou próximos lançamentos que você está planejando?
Rebeca Santos - A obra ‘Devaneio: amores vividos, histórias inventadas’ vai ganhar versão braille em setembro de 2024. Mas o trabalho começou no início deste ano, com a realização de palestras sobre inclusão e acessibilidade, pesquisas relacionadas ao tema, visitas à biblioteca braille e até mesmo o aprendizado do sistema braille.
ON Jornal - Como você utiliza as plataformas digitais e as redes sociais para promover seu trabalho e alcançar novos leitores?
Rebeca Santos - Além das trends, tento manter um canal de comunicação direto com o público. Compartilho um pouco da rotina de escritora e dou dicas de livros, por exemplo, além de interagir bastante com todo mundo.
ON Jornal - Que conselho você daria para jovens escritores do Amazonas que estão começando suas carreiras agora?
Rebeca Santos - É preciso sonhar, acreditar na realização desse sonho e fazer o que estiver ao alcance pra se tornar realidade. Isso acontece no dia a dia, quando você acompanha tendências, tira dúvidas sobre o assunto, pesquisa e está sempre antenado. Então, esteja sempre em busca de tudo isso.
ON Jornal - Você tem algum plano ou desejo específico para o futuro da sua carreira literária?
Rebeca Santos - No futuro, quero transformar a obra ‘Devaneio: amores vividos, histórias inventadas’ em uma produção audiovisual. E já surgiram convites pra que isso fosse feito, mas é algo que precisa ser trabalhado com calma ainda.
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