O Dia do Psicólogo é comemorado anualmente em 27 de agosto no Brasil. Esta data celebra o profissional da área da saúde responsável por estudar e orientar o comportamento humano, lidando com os sentimentos, traumas, crises, entre outras condições.
A palavra Psicologia vem do grego - psique (alma) e logos (estudo) -, ou seja, o estudo da alma humana. Representada pelo símbolo do tridente, que possui relação com a letra psi do alfabeto grego, essa ciência surgiu no século 16, buscando compreender os indivíduos, suas angústias e inquietações.
De lá até os dias atuais, a área cresceu muito e foram criadas várias vertentes, com profissionais especializados em diferentes abordagens e atuando em diversos setores. No entanto a profissão só foi regulamenta graças à mobilização da categoria, ressaltando a importância de celebrar o Dia do Psicólogo.
De forma geral, esse profissional busca compreender as diferentes facetas das emoções e do comportamento humano, visando a resolução de problemas de saúde mental, principalmente o suicídio. Com a chegada da campanha do setembro amarelo, a prevenção a esse transtorno mental ganha prioridade.
Ao ON Jornal, a psicóloga, Ketty Figueiredo Moreira, que atua na SEDUC desde 2011, onde foi pioneira da educação e junto com colegas conseguiu inaugurar a coordenação psicossocial da secretaria, fala sobre sua trajetória, os detalhes do seu trabalho e o amor pela profissão. Confira.
ON Jornal- Quando você descobriu que queria a profissão? O que é ser psicóloga?
Dra. Ketty Moreira – Olha, aconteceu quando quis compreender e desvendar a mente humana.
Ser psicólogo é ter um compromisso social com a sociedade, respeitando a individualidade do ser humano diante de suas questões particulares, tendo ciência que somos diferentes e que cada um pode desenvolver suas potencialidades de maneira individual ou com a ajuda de um profissional psicólogo que aponte possibilidades, que muitas vezes o próprio ser humano limita.
ON Jornal- Dentro da categoria, qual área você atua?
Dra. Ketty Moreira – Eu atuo na área escolar, clínica e comunitária.
ON Jornal- Como é o mercado de trabalho hoje em dia, e como ele tem se transformado?
Dra. Ketty Moreira – O mercado de trabalho dentro da nossa classe, ainda é tímido e pouco valorizado para parlamentares e autoridades, pois, como exemplo, eu trabalho dentro da educação e tomo conta de 36 escolas e quando abre concurso público, geralmente ofertam 2 vagas e o salário é inferior e diferenciado de secretarias que exercem a mesma função, como na saúde, que paga melhor que a educação e trabalha menos.
ON Jornal- Com a chegada do setembro amarelo, como os psicólogos se mobilizam para dar voz ao tema suicídio?
Dra. Ketty Moreira – Geralmente, no Setembro Amarelo as secretarias se reúnem e alinham ações em conjunto para realizar palestras e rodas de conversas. Porém, no percurso anual as psicólogas da educação não param de atuar e dentro do nosso a fazer atendemos a comunidade escolar que abrange (alunos, professores, servidores e a família), com um público de aproximadamente 27.000 mil alunos e 2.000 servidores dentro de nossa responsabilidade, distribuídos em 7 zonas.
ON Jornal- Como a pessoa comum pode identificar os primeiros sinais de depressão profunda em alguém? Como agir?
Dra. Ketty Moreira – Dentro de nossa realidade e no contexto que vivemos no pós-pandemia, temos um grande número de alunos dando sinais de ansiedade, isolamento, automutilação, queda no rendimento escolar, choro, tremores etc.
Dentro desses sinais o gestor solicita o atendimento na escola ou muitas vezes após uma palestra os próprios alunos nos procuram para conversar. Os procedimentos são: Acolhimento; Escuta especializada; Validação da dor do outro; Empatia; Solicitação da presença do responsável para dar ciência do problema; Apontar possibilidade de atendimento na rede; Encaminhamento e Feed backup com à família.
ON Jornal- Como surgiu o trabalho que você realiza em prevenção ao suicídio? Como funciona? E qual balanço você faz do programa até agora?
Dra. Ketty Moreira – O trabalho teve início com a constatação de sinalizações de casos de automutilação nas escolas, juntamente com tentativas de suicídio.
Então em 2018 surgiu a ideia do "Projeto Amigos da Ponte Vida”, com uns amigos, e posteriormente outros psicólogos se uniram para atender a demanda da ponte onde articulamos com os vigilantes que atuam na guarita da Ponte Rio Negro, para cuidar do patrimônio público.
Eles fazem mais do que o trabalho deles. Os guardas salvaram muitas vidas ali e quando não estávamos no local, estes pagavam a conta das vítimas adoecidas e posteriormente entrávamos em contato para atendimento online ou quando estávamos na ponte diante de um agravo, nós acompanhávamos a pessoa até o Hospital Eduardo Ribeiro na viatura do 4° Cicom ou bombeiro até a família chegar. Dávamos o encaminhamento para a rede de assistência ou atendíamos via celular. Na maioria das vezes a família era o causador do sofrimento. Quem mais tenta a prática são as mulheres, porém quem mais finaliza são os homens.
ON Jornal- A pessoa que se encontra nessa situação e reconhece, como pode buscar ajuda em um primeiro momento?
Dra. Ketty Moreira – Bom, devemos acionar a rede de proteção, sendo a priore a família, mas em certos casos, nem sempre isso acontece, pois aqueles que deveriam proteger, muitas vezes são os que violam os direitos das crianças e dos adolescentes.
Além disso, a pessoa deve buscar o conselho tutelar, o Depca (Delegacia especializada em proteção à criança e adolescente, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas, a SSP-Secretaria de Segurança Pública, o Ministério da Mulher da Família e dos Direitos Humanos ou o SAAVIS-Serviço de atendimento às vítimas de violência sexual.
A busca pela rede de apoio varia conforme a demanda. Os números para ajuda, são: 129; os Disq-denúncias 08000 920 500, 181, 100, (92) 32168767 e o CVV-188.
Bom em se tratando de busca de ajuda à saúde mental recomendamos: o SUS, o CAP’s (Centro de atenção psicossocial), os Ambulatórios de Saúde mental e agora, o Centro de Saúde mental localizado na Av. Desembargador João Valério no bairro Planalto, que atenderá os serviços de urgência e emergência psiquiátrica, 24 horas por dia todos os dias.
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