Além de toda a violência, extermínio e expropriação que marcam a história do Brasil desde o período colonial, os povos indígenas enfrentam atualmente um período de retrocesso nos direitos conquistados nas últimas décadas. Vidas e tradições indígenas estão ameaçadas pela desestruturação da Fundação Nacional do Índio (Funai), pelo retrocesso na demarcação de terras, pelo desmonte de políticas públicas na área da saúde e educação e pelo estímulo do governo Bolsonaro para que garimpeiros, madeireiras e o agronegócio invadam territórios indígenas sem qualquer preocupação ambiental.
No último ano, mais de 600 indígenas morreram em razão da Covid-19 e da omissão governamental. Para além da tristeza pela perda, a morte de idosos também abala a preservação das tradições indígenas, já que os mais velhos costumam ser conselheiros e guardiães de sabedoria e tradições nas comunidades caracterizadas pela transmissão oral da história.
Para além de reconhecer que os povos indígenas contribuíram e seguem contribuindo na preservação de conhecimentos ancestrais, na proteção das florestas e outros biomas em risco de extinção, a data nos convida a somar forças na luta contra a política de extermínio das populações tradicionais e de destruição da natureza.
O dia 19 de abril foi instituído em 1943. A forma como a data é tratada pelos governos e instituições não-indígenas ao longo desses 78 anos de história é alvo de críticas. As comemorações costumam secundarizar a importância de efetivar direitos e políticas públicas para as populações originárias, além de evocar o estereótipo de um indígena genérico e folclórico, desconsiderando as particularidades e realidades das diversas etnias. Segundo levantamento realizado em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui 7.103 localidades indígenas.
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